A campanha, que marca um ponto de viragem na forma como Portugal se vende no exterior, foi desencadeada pelos impactos que a crise está a ter no fluxo de turistas que chegam ao país, especialmente ao Sul. Mas também pelas incertezas em relação ao comportamento de um mercado muito importante que está a dar sinais de fragilidade, fruto da derrapagem económica e das medidas de austeridade.
Até aqui, Portugal promovia-se em Espanha (e noutros mercados) num formato mais tradicional, suportado na publicidade em revistas e jornais ou outdoors. Desta vez, era preciso agir mais depressa e com recursos financeiros mais limitados. O Algarve chegou ao final de 2011 "com os piores resultados dos últimos 16 anos", explica Luís Matoso, administrador do Turismo de Portugal. "Não podíamos perder tempo. Era preciso uma estratégia que garantisse receitas", acrescenta.
A Andaluzia, um mercado com oito milhões de pessoas, foi a escolha, não só pela proximidade, mas também porque faz parte de um país onde o turista está menos dependente de intermediários, decidindo e organizando as viagens por si. Faltava a plataforma que albergaria a campanha e aqui entrou o El Corte Inglés. Até 22 de Abril, e por cada compra acima de 30 euros num dos cinco armazéns da região, os clientes ganham direito a uma estadia extra no Algarve, mediante reserva de uma primeira noite. No talão, levam um código para inserir no site criado para o efeito: o www.regaloalgarve.es, que acaba por promover o país.
"A nossa actuação hoje faz-se muito mais com a análise do contexto num determinado momento. Face aos números do ano passado, tínhamos de agir rapidamente. Com esta campanha, comunicamos Portugal, mas de uma forma mais eficaz, e geramos vendas", referiu Luís Matoso. O Turismo de Portugal tem o papel de "facilitador" das receitas, tendo gasto 138 mil euros nesta campanha que depois gera negócio aos 14 hotéis algarvios (de quatro e cinco estrelas) que aderiram ao projecto.
Para aquela região, esta acção interessa sobretudo pelo prisma do combate à sazonalidade. Um problema que continua por resolver, apesar das sucessivas tentativas. As reservas que partirem desta campanha têm como limite o mês de Junho, estando em cima da mesa a possibilidade de repetir a estratégia depois do Verão. Nessa altura, já a campanha poderá ser alargada a outras regiões de Espanha, estudando-se a possibilidade de, em conjunto com a TAP, usar este tipo de promoções também nos voos.
Artigo completo em PÚBLICO | Economia