Acabar de vez com as portagens na Via do Infante (A22) seria a medida “mais acertada” que o Governo poderia tomar perante o que aconteceu durante o fim-de-semana da Páscoa, na fronteira do Guadiana, defende a associação de turismo da região.
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“De imediato, todos os carros de matrícula estrangeira deveriam ficar isentos”, afirma o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas. A tentativa de aumentar receitas desta forma “teve um efeito contrário ao pretendido, afastou turistas e impede a entrada de capitais no país”, argumentou.
“O Algarve perde mais do que ganha desde que há portagens na A22”, garante Viegas. O número de visitas de espanhóis caiu mais de 30 por cento, e a Estrada Nacional (EN) 125, pela intensidade do tráfego, ameaça bloquear o acesso às praias.
As imagens das enormes filas de automobilistas, à saída da ponte do Guadiana, a aguardar o pagamento, através de uma única máquina aparentemente complexa, retratam “Portugal no seu pior”, enfatiza o responsável.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, Macário Correia, partilha uma opinião idêntica: “Arriscamo-nos a que aquilo que aconteceu episodicamente num fim-de-semana de Páscoa se repita no próximo Verão, o que seria caótico”. O autarca, social-democrata, sublinha: “A introdução de portagens teve um efeito perverso e está à vista”.
Os municípios algarvios, recordou Macário Correia, “manifestaram-se contra a introdução de portagens na A22”. Mais tarde, mostraram “compreensão” pela medida governamental, atendendo ao memorando assinado com a troika e ao contexto económico do país. Porém, as imagens que se verificaram junto à fronteira, remetem-nos para um tempo “em que entrar em Portugal era um suplício”. Impedir a entrada de turistas, é “regredir, prejudicar a economia”, sublinhou. Por conseguinte, defende que o Governo deve “retirar o pagamento de portagens ou encontrar uma solução tecnológica que permita o pagamento de uma forma expedita”.
Também deputado Miguel Freitas, do Partido Socialista, é contra as portagens: “Estamos reféns de um sistema absurdo”. A forma de pagamento, “pouco flexível”, lançou centenas de turistas em desespero, a jurarem que não voltariam a pôr os pés em Portugal. O deputado, líder do PS/Algarve, diz que “não se percebe como é que um país que foi capaz de inventar a Via Verde não encontra uma forma simples de pagamento, que não bloqueie a entrada de estrangeiros no Algarve”.
Na mesma linha, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve, António Pina, comenta: “Tenhamos a coragem de rever uma coisa que não funciona”. Sobre as longas filas que se formaram, acrescenta: “Fiquei envergonhado com o que vi, não é assim que se atrai turistas”.
Em Dezembro, quando foi introduzido o pagamento de portagens, estava previsto serem montados vários sistemas de pagamento ao longo da Via, nas estações de serviço, mas a instalação ainda não se verificou.