Foi assim que ontem à noite - numa cerimónia com um concerto da fadista Carminho - o equipamento veio a ser anunciado, no local, pelo presidente da autarquia, que falou numa "nova era" deste tipo de comércio que o país vai perdendo para as grandes superfícies. O projecto também visa uma aproximação do equipamento às pessoas, com acessibilidades melhoradas, e pretende ser muito mais do que um mercado, um espaço para viver todos os dias da semana, de manhã até à noite, fugindo ao padrão actual de quartas-feiras e sábados.
O velho edifício será mantido na íntegra, representando a renovação, e a requalificação do espaço envolvente, a cargo do gabinete de arquitectura Pluriescala, um investimento municipal de um milhão de euros. Estabelece o projecto de concepção da imagem, produzido pela agência municipal DNA Cascais, que a diferença começará a ser visível a partir do Verão, quando a distintiva imagem de marca for aplicada aos edifícios, sacos de compras, etiquetas, aventais - personalizados com nome e função do operador - suportes e expositores de produtos uniformizados.
Também ali vai abrir a Mercearia da Vila, com horário alargado às 22h, e o restaurante-escola, onde alguém poderá aprender algo tão prosaico como estrelar um ovo, mas que é um equipamento considerado como âncora gastronómica ao mercado, e que o município diz ser diferenciadora para o que já existe e uma marca distintiva do concelho face aos vizinhos. Ali serão preparadas pequenas refeições durante o dia, transformando-se à noite em restaurante. Uma intervenção em mais de 300 metros quadrados, dando um novo rosto ao antigo pavilhão da fruta. A mercearia estará alinhada com a imagem do mercado, mas criando uma marca de qualidade gourmet para os produtos de Cascais: doces, hortícolas, peixe, produtos que diferenciam Cascais dos demais concelhos.
Produtos de fora não entram
A autarquia diz que junta a isto tudo o efeito sustentabilidade da economia e dos próprios operadores locais, na medida em que serão privilegiados os produtos produzidos no concelho, certificados com selo de proveniência e garantia. Naqueles dias, não haverá tomate forasteiro que possa ser ali apregoado ou vendido. O mercado também sairá das suas portas e irá à rua ter com os clientes, ou levará os produtos a casa, acomodados em cestos colocados em bicicleta, prática que se diz sem precedentes no país.
A feira (às quartas), acolherá 96 feirantes, o mercado saloio (quartas e sábados) tem espaço para 66 vendedores/produtores. Naqueles dias, mas também às terças e sextas, oito feirantes farão o mercado grossista. O cronograma do projecto anuncia também outros mercados semanais, seja o Solidário - Associações Particulares de Solidariedade Social do concelho expõem e comercializam os artigos que os alunos/utentes produzem -, ou a Feira Made in Cascais - venda exclusiva de produtos produzidos no concelho e dos excedentes das hortas, ao abrigo do programa da Agenda XXI. Os mercados mensais serão temáticos: feiras do livro e música, de oportunidades (segunda mão), e do empreendedor por um dia. Os mercados sazonais serão montados quatro vezes por ano, no caso da Feira do QVE (queijos, vinhos e enchidos), ou uma vez por ano, quando se trate das feiras do mel e da castanha.
A promoção das indústrias criativas é uma ideia a formalizar, mas no mercado da vila de Cascais poderá ser alojado o Clube de Criativos de Portugal, que faria do seu espaço uma galeria e atelier. Concursos de fotografia, desfiles de moda, degustação de produtos, serão outras actividades diurnas, que a noite, com o apoio dos bares do concelho, tem projectos para espectáculos de jazz, soul, chillout e fado.