Os trabalhadores reclamam que a operadora estatal, que gere o tráfego de entrada e saída do país, seja excluída das medidas de contenção aplicadas às empresas públicas, nomeadamente no que diz respeito à redução de despesas operacionais. Isto porque as receitas que gera dependem exclusivamente dos custos que reporta ao organismo europeu Eurocontrol.
Desde 2011 que a NAV, tal como todo o Sector Empresarial do Estado, tem sido forçada a emagrecer os gastos, tendo também aplicado as reduções salariais e os cortes nos subsídios de férias e de Natal. A administração tinha enviado no início deste ano uma proposta ao Ministério das Finanças no sentido de fazer uma adaptação às regras, mas o pedido foi negado.
A Comissão de Trabalhadores diz ainda nesta nota que os sindicatos esperam "o empenhamento político efectivo do Governo no processo de diálogo (...) para se encontrarem respostas concretas à situação da empresa e dos seus colaboradores" e garantem que se manterão "expectantes e atentos aos desenvolvimentos".
Os trabalhadores da NAV acusam o Executivo de não ter prestado a "necessária atenção" a este assunto. "Este arrastamento da situação é ainda mais incompreensível quando se constata que a própria administração da empresa, nomeada pelo actual Governo em Fevereiro, deu nota pública das características particulares do modelo de negócio da NAV e do paradoxo das soluções em vigor".
Há consequências irreversíveis
A greve na NAV, que seria a terceira este ano, teria fortes impactos no sector da aviação e do turismo e na própria economia do país. A TAP, por exemplo, já tinha cancelado 149 voos para sexta-feira e sábado e a associação da hotelaria do Algarve estimou perdas superiores a 50 milhões de euros para a região.
Apesar do cancelamento dos protestos, não será possível recuperar, na totalidade, estes danos. No seu site, a TAP, que também enfrenta uma greve dos pilotos já a partir de 5 de Julho, escreve que "na sequência da desconvocação desta greve, envidará todos os esforços para repor a sua operação tanto quanto possível".