O famoso Ritz de Paris fechou portas e só deverá voltar a acolher hóspedes no Verão de 2014. Até lá, passará por uma remodelação profunda que visa honrar a promessa do fundador, Cesar Ritz, de oferecer “todo o luxo que um príncipe poderia desejar em sua casa”.
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A explicação sobre esta remodelação foi dada pelo proprietário, o multimilionário egípcio Mohamed Al-Fayed, ao britânico The Telegraph. Mas, mesmo depois desta mega operação de trazer a unidade para o século XXI, “o Ritz continuará a ser o Ritz” que inspirou artistas, como Irving Berlin, Proust (parte da sua obra Em Busca do Tempo Perdido foi escrita entre as suas paredes), Ernest Hemingway (“Quando sonho com uma vida para lá da morte no paraíso, a acção decorre sempre no Ritz de Paris”, , escreveu o homem que chegou primeiro que o fotógrafo Robert Capa ao bar do Ritz de Paris no dia da derrota nazi) ou Scott Fitzgerald. E também o mesmo Ritz que serviu de abrigo a ícones do século XX — Coco Chanel, por exemplo, morou numa suite deste hotel ao longo de 37 anos.
Ao longo dos tempos, pelos seus quartos e suites hospedaram-se reis e rainhas, príncipes e princesas, além de inúmeras estrelas. E, no cinema, serviu de cenário a vários filmes, como Ariane, com a romântica Audrey Hepburn e o galã Gary Cooper. Mas nem tudo brilha na história do hotel: durante a II Guerra Mundial, serviu de sede às forças nazis e, em Agosto de 1997, correu mundo como o último sítio onde a princesa de Gales Diana e Dodi Al-Fayed, filho do actual proprietário, foram vistos com vida antes do acidente de viação que resultaria na morte de ambos.
Agora, 114 anos após a sua abertura e depois de não ter conseguido a classificação de palácio, que o colocaria acima das unidades de cinco estrelas, o Ritz de Paris encerrou portas e manter-se-á fechado durante dois anos. Nesse tempo, os planos incluem uma remodelação total, que envolverá um investimento de 140 milhões de euros. À frente do projecto de renovação, o arquitecto e designer francês Thierry Despont, responsável pelas obras no Carlyle de Nova Iorque ou no Dorchester de Londres.
Mas também se podem esperar por novidades para o Verão de 2014: como um restaurante servido por um tecto de vidro retráctil, a construção de um túnel entre o hotel e o estacionamento de Place Vendôme (uma medida que poderá eliminar a constante presença dos paparazzi) e, claro, a substituição de todo o sistema de aquecimento, canalização e eléctrico.
Até ao seu encerramento, uma noite custava entre 850 e dez mil euros.