Fugas - notícias

  • Manuel Roberto
  • Rui Gaudêncio

Câmara de Barrancos fecha Castelo de Noudar por risco de derrocada

Por PÚBLICO, Lusa

A Câmara de Barrancos decidiu encerrar temporariamente o Castelo de Noudar, situado numa herdade naquele concelho alentejano, devido ao perigo de derrocada de partes do monumento.

“Tomámos esta decisão depois de muito amadurecer o assunto, tendo em conta que as condições do castelo não são as melhores, neste momento”, explicou à Lusa António Tereno, presidente do município.

Num comunicado divulgado na página de Internet da câmara, lê-se que o encerramento ocorre devido ao “agravamento significativo das condições de conservação da estrutura militar”. Existe perigo de colapso de algumas partes do castelo, que apresenta já sinais de erosão e fissuras profundas em alguns locais.

O castelo está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e é um dos pontos de atracção turística do concelho. Contudo, e apesar de a câmara municipal ter recuperado a torre sudoeste “há dois ou três anos”, num investimento de cerca de 150 mil euros co-financiado por apoios comunitários, existem riscos para a segurança, devido à degradação.

Em 2010, o então secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, aprovou a concessão de um apoio no valor de 362 mil euros para a dinamização do projecto de valorização turística em Noudar, incluindo uma intervenção arqueológica no castelo. O PÚBLICO tentou contactar o autarca para perceber se aquele investimento de 150 mil euros corresponde ao apoio anunciado pelo Governo, mas não foi possível.

A partir de segunda-feira, “para evitar males maiores”, o castelo vai ficar encerrado ao público porque a câmara não tem condições para garantir a segurança das pessoas no local, frisou António Tereno.

“Uma zona do ‘pano’ de muralha está em risco de desabar e, na própria entrada principal, a torre por cima está, ela própria, com várias ‘patologias’ e pode desabar a qualquer momento”, alertou.

Lamentando a decisão, que “não é agradável”, mas “é imprescindível”, António Tereno salientou que o fecho do espaço é “temporário” e que este período vai ser aproveitado para analisar as hipóteses de recuperação.

“Vamos estudar as soluções possíveis, em conjunto com outras entidades que nos podem ajudar, neste caso com a Direcção-Geral do Património e, possivelmente, recorrendo também ao Turismo de Portugal”, frisou.

O presidente do município destacou que, para evitar a continuada degradação do monumento, “são precisos fundos”, eventualmente “alguns milhões” de euros, mas um obstáculo à autarquia é a Lei dos Compromissos.

Neste momento, “através da famigerada Lei dos Compromissos, nós estamos completamente ‘atados’, ao nível dos municípios”, criticou, garantindo que a autarquia vai “tentar inventar soluções para o Castelo de Noudar” e que não irá deixar o espaço ao abandono.

O Castelo de Noudar, que assumiu grande importância na defesa da fronteira com Espanha, data do século XIV, mas desde o ano 3200 antes de Cristo (a.C.) e até ao século XIX o “sítio de Noudar” teve sempre ocupação.

--%>