A greve, convocada por cinco sindicatos, realiza-se contra a não aplicação na empresa de um acordo assinado com a administração da TAP relacionado com cortes salariais previstos no Orçamento do Estado. Os sindicatos argumentam que a não aplicação do acordo na SATA é uma "discriminação" dos trabalhadores da transportadora aérea açoriana em relação à companhia nacional.
O Governo dos Açores, que tutela a empresa, diz que a realidade das duas companhias é diferente e que só seria possível aplicar o acordo na SATA violando a lei do Orçamento do Estado, recusando-se a dar indicações à administração para cometer "uma ilegalidade".
Em causa está um acordo assinado entre a mesma plataforma de sindicatos e a administração da TAP que visa evitar cortes salariais previstos no Orçamento do Estado de 2013, que oscilam entre os 3,5% e os 10%.
A administração da SATA apresentou aos sindicatos alternativas para negociação, mas os representantes dos trabalhadores dizem que implicavam uma revisão dos acordos de empresa e que não eram "quantificáveis".
As conversações entre a plataforma sindical e a administração da transportadora aérea, com o objectivo de evitar a greve, foram inconclusivas. A Lusa, citando uma fonte não identificada da SATA, adiantava entretanto que, ainda esta segunda-feira, estariam a decorrer contactos informais entre as partes visando chegar a um consenso.
Na semana passada, o delegado nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal afirmava que a greve já tinha levado a vários cancelamentos em unidades hoteleiras, temendo que fossem também anuladas “em massa” reservas para as festas do Santo Cristo (2 a 9 de Maio). O primeiro período da greve coincide com o início do Rali dos Açores (por coincidência, patrocinado pela SATA), que decorre de 25 a 27 de Abril.
Já o presidente da Comissão do Turismo da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Horácio Franco, referia que o impacto negativo da greve pode ultrapassar os 10 milhões de euros.
No site da SATA, a companhia informa que os clientes afectados pelas paralisações "poderão solicitar alterações das suas reservas" "sem qualquer penalização, para datas entre os 7 dias antes e os 21 dias depois da partida". Já "os cancelamentos voluntários são penalizados de acordo com a regra tarifária". Se for a companhia a cancelar o voo, "deverá ser considerado cancelamento involuntário passível de reembolso sem penalização". Os voos do plano de contingência para cumprimento dos serviços mínimos estão listados aqui.