Fugas - notícias

Yannis Behrakis/Reuters

Governo recomenda «cautela» a quem viajar para a Turquia

Por Fugas, Lusa

Portugal não desaconselha viagens, apenas recomenda cuidados. Os protestos nas ruas turcas já afectam o turismo, levando a cancelamentos que podem atingir 40% das reservas previstas em alguns pontos.

O Governo português recomendou, esta segunda-feira, "cautela" aos portugueses que se desloquem para a Turquia, mas não desaconselhou as viagens para aquele país, onde há dias se repetem confrontos entre polícia e manifestantes.

"As indicações que temos são de que a situação continua tensa, particularmente nos grandes centros. Recomendamos a todas as pessoas que se dirijam à Turquia que tenham alguma cautela, que evitem aglomerações e que tenham em consideração a instabilidade de funcionamento dos transportes públicos", disse o secretário de Estado das Comunidades à Lusa. Na página online de Conselhos aos Viajantes podem ser seguidas as actualizações das recomendações.

José Cesário adiantou que não existe até ao momento indicação de problemas envolvendo os portugueses residentes na Turquia e que o Governo não vê, por agora, motivo para desaconselhar as viagens para aquele país, onde a polícia tem usado gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar uma onda de manifestações, que começaram em Istambul e rapidamente alastraram a outras cidades turcas.

O secretário de Estado das Comunidades disse ainda que a embaixada de Portugal na Turquia, situada em Ancara, está "a acompanhar em permanência" a situação em Istambul através de contactos com o cônsul honorário de Portugal naquela cidade.

Confrontado com queixas de alguns portugueses por causa da dificuldade em contactarem aquela representação diplomática, José Cesário admitiu que, por estar em Ancara, existem por vezes dificuldades de contacto com os serviços.

"A embaixada está perfeitamente avisada e permanentemente atenta à evolução da situação. Tem mantido reuniões com responsáveis das embaixadas de outros países, particularmente da União Europeia, para trocarem informações e verem se o nível das recomendações deve ser alterado", disse.

José Cesário disse ainda que na Turquia vivem permanentemente algumas dezenas de portugueses, a que se somam os visitantes que se deslocam a negócios e alguns estudantes de programas de intercâmbio.

Istambul é palco desde há quatro dias de violentos protestos, que no fim de semana se estenderam a dezenas de outras cidades turcas. 


Protestos afectam turismo no país

Em Istambul, calcula-se já em cerca de 30% de cancelamentos registados no sector turístico, segundo dados divulgados pelo presidente da União dos Hotéis e Investidores Turísticos, Timur Bayindir, em declarações ao diário turco Milliyet. “Nos últimos dias, os hotéis de Taksim [a praça central destas manifestações, localizada em Istambul] começaram a esvaziar-se”. “O cancelamento das reservas [neste local] atingiu cerca de 30% a 40%”, adiantou.
 
A mesma fonte assegurou que muitos países, tanto ocidentais como do Médio Oriente, recomendam aos seus cidadãos não viajar para a Turquia. Bayindir afirmou ainda que Junho “já se pode dar por perdido” e que são esperadas “perdas incalculáveis [nas receitas], num mês que normalmente é muito rentável para o setor”.
 
A Federação dos Proprietários de Hotéis sublinhou que, em todo o país, os valores das anulações de reserva já atingiram os 10%, devido à imagem do país projectada através manifestações.
 
A Bolsa de Istambul está a registar a maior queda desde 2001, com uma quebra de 8%, estando a lira turca desvalorizada, em comparação com o dólar ou com o euro.
 
__
Siga a actualização dos acontecimentos na Turquia @ http://www.publico.pt/turquia
--%>