Aquele que é já um espaço de eleição para muitos amantes do turismo de natureza, está prestes a ganhar mais um motivo de atracção. A BioRia, rede de percursos pedestres e cicláveis de Estarreja, acaba de ficar enriquecida com mais um trilho, a inaugurar no próximo mês. O percurso de Fermelã é já o oitavo - e último previsto - desta rede que atravessa o raro e genuíno habitat da região do Baixo Vouga Lagunar.
No total, são já cerca de 50 quilómetros de trilhos que permitem observar 146 espécies, algumas delas em perigo de extinção, como é o caso da própria mascote da Bioria, a garça-vermelha, assim como a águia-sapeira ou a felosa-aquática. A esta riqueza de espécies de aves, junta-se também a restante fauna autóctone, que conta com lontras (que terá nesta zona a maior concentração da Europa), rãs-ibéricas ou lagartos-de-água, entre outras espécies.
O projecto, da responsabilidade da Câmara de Estarreja, arrancou em 2005, com a inauguração do primeiro trajecto, e também o mais longo (7,7 quilómetros), em Salreu. A partir daí, a Bioria não parou de crescer, com a abertura, consecutiva, de novos trilhos ao longo da paisagem do Baixo Vouga Lagunar e da ria de Aveiro - ao percurso de Salreu, juntaram-se os trilhos do Rio Jardim, Canelas, do Bocage, Canelas/Salreu e do rio Antuã, Beduído/Salreu. Todos eles equipados com as infra-estruturas e condições necessárias para a sua descoberta, nomeadamente zonas de descanso, placas informativas, sinalização, torre de observação.
Fotografar à noite
Além da inauguração do novo e último trilho da rede, a câmara municipal tem também previsto, para o próximo mês, mais um ciclo de actividades na BioRia. De 12 a 14 de Julho, será promovido um seminário teórico-prático sobre a "natureza como motor de desenvolvimento económico".
Estas jornadas, intituladas O capital natural como fonte de desenvolvimento económico, irão reunir diversos especialistas no Cine-Teatro de Estarreja e no Centro de Interpretação Ambiental de Salreu. Haverá também lugar para trabalho de campo ou para um workshop de fotografia nocturna, uma novidade nas actividades promovidas pela BioRia.
Outra das actividades será a apresentação do Guia de Mamíferos da BioRia, da autoria dos investigadores Vítor Bandeira, Alexandre Azevedo e Carlos Fonseca, numa edição da Câmara de Estarreja. Este guia mostra a BioRia como morada de dezenas de animais, contribuindo não apenas como apoio ao turista e visitante, mas sobretudo para suprimir uma "falha" ao nível das publicações sobre a fauna de mamíferos em Portugal. A obra é "um novo passo em prol do ambiente e um contributo a favor do conhecimento do património natural da região e do país", diz a autarquia.
Ao longo destes sete anos, os percursos da BioRia parecem estar a ganhar cada vez mais adeptos. Pelo menos, é isso que indicam os números avançados pela Câmara de Estarreja. Os dados relativos às visitas espontâneas reflectem um crescimento significativo: foram seis mil em 2010, 10 mil em 2011 e 13 mil em 2012.
Já no que concerne às visitas guiadas, no ano passado, foram contabilizadas 2.500, número semelhante aos de 2011 e de 2010, mas mais do dobro do que em 2009. A rede começou a tomar forma em 2005, com a abertura do primeiro percurso (Salreu).