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Rui Gaudêncio

Ter carro a gasóleo vai ser mais caro em 2014, prevê OE

Por Pedro Crisóstomo

Taxa adicional em sede de IUC pode chegar aos 68,85 euros nos veículos de maior cilindrada com matrícula posterior a 30 de Junho de 2007.
Quem é proprietário de automóvel a gasóleo vai pagar uma taxa adicional em sede de Imposto Único de Circulação (IUC) no próximo ano. Para além da actualização anual do imposto, soma-se uma taxa que vai de 1,39 a 68,85 euros, variando consoante a idade do veículo e a cilindrada. A medida consta da proposta do Orçamento do Estado para 2014.

O valor adicional a pagar pelo proprietário varia não só em função da cilindrada do veículo, mas também da categoria do veículo, consoante seja matriculado antes ou depois (inclusive) de 1 de Julho de 2007.

Nos veículos matriculados até esta data, há ainda uma diferenciação de taxas consoante o período de registo e, por sua vez, consoante a cilindrada. Por exemplo, se um veículo com uma cilindrada até 1250 centímetros cúbicos matriculado entre 1981 e 1989 a taxa adicional é de 1,39 euros, no caso de um carro registado depois de 1995 (mas até 30 de Junho), a taxa é de 3,14 euros.

O mesmo exemplo, mas aplicado a um carro com cilindrada superior a três mil centímetros cúbicos, significa que a taxa adicional é, respectivamente, de 5,70 euros e de 25,01 euros.

Já em relação aos veículos registados depois (inclusive) de 1 de Julho, a taxa adicional aplicada aos carros com menor cilindrada (até 1250 centímetros cúbicos) é de 5,02 euros e vai subindo progressivamente, até chegar aos 68,85 euros nos carros com cilindrada superior a 2500 centímetros cúbicos.

A medida “apanhou” de surpresa a Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), cujo secretário-geral, Jorge Neves da Silva, acusa o Governo de, com esta medida, “criar condições mais penalizadoras para quem usa viatura” a gasóleo e “dificultar mais ainda a retoma do sector”.

Ao PÚBLICO, Neves da Silva lamenta que o Governo, segundo diz, não tenha ouvido os empresários do sector e acusa o executivo de “um completo autismo”, por aplicar medidas com o intuito de aumentar a receita fiscal sem medir “as consequências que advêm dessa realidade” para os consumidores e as empresas do sector.

A ACAP - Associação do Comércio Automóvel de Portugal também alerta para “efeito perverso” desta medida. “Mais uma vez, o sector automóvel é o sector penalizado em termos de agravamento da carga fiscal. É o sector em que as vendas caíram 50% em três anos e que tem mais uma vez a carga fiscal aumentada, o que é uma perfeita discriminação de um dos sectores mais importantes da economia”, disse à Lusa Helder Pedro, secretário-geral da ACAP.

Hélder Pedro avisa que o aumento do imposto conduzirá a uma “diminuição do volume de negócio e diminuição do volume de receitas para o Estado”. "É fácil talvez tributar os automóveis, em relação a outros bens, mas mais uma vez o Governo vai por esse lado, o que é um despropósito, porque as receitas do automóvel caíram para metade em 2012, ou seja, isto vai levar a perda de receita”.

Apesar de o parque automóvel estar a encolher (5,8 milhões de veículos em 2012), o Governo tem conseguido evitar uma quebra de receita fiscal no que toca ao Imposto Único de Circulação, que aumentou no ano passado – e continua em alta este ano.

Em 2012, o IUC rendeu ao Estado 197,3 milhões de euros, mais 23,7 milhões (13,7%) do que no ano anterior. Já até Agosto, entraram para os cofres do Estado 159 milhões de euros, o que significa que a receita com este imposto está 25,6% acima do montante conseguido até ao mesmo período do ano passado.
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