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Um festival internacional de caminhadas para dar novo brilho à Estrela

Por Vânia Marinho

As Aldeias de Montanha de Seia vivem o fim-de-semana do 1.º Portugal Walking, festival internacional de percursos pedestres. O evento quer mostrar que a Serra da Estrela é muito mais do que apenas um destino de neve.

Um fim-de-semana de estreias na Serra da Estrela: enquanto a estância de esqui recebe os primeiros esquiadores, a área acolhe também o 1.º Portugal Walking Festival Seia, uma iniciativa da Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela (Adruse) - em parceria com a Rota das Aldeias de Montanha.

O festival leva "os caminheiros portugueses e estrangeiros a conhecer um território de excelência para a prática da paixão de caminhar ao longo de todo o ano", resume a organização. Os objectivos passam também por promover a região como destino de Turismo de Natureza e mostrar que "a Serra da Estrela não é só neve e gelo, sendo que, durante a maior parte do ano, oferece cenários e possibilidades desconhecidas de muitos visitantes que habitualmente a frequentam [apenas] no Inverno".

Realizado de 22 a 24 de Novembro, permite aos participantes percorrer percursos baseados na Garganta e Vale da vila de Loriga, nos arredores desta e da Aldeia de Cabeça. Entre os atractivos, a Aldeia de Alvoco da Serra, na companhia do Guardião da Aldeia, ou a visita ao Centro de Interpretação da Serra da Estrela, em Seia. E porque caminhar, já se sabe, abre o apetite, há iguarias da gastronomia beirã e serrana para saborear.
Os participantes neste festival que se faz passo a passo pagaram 25€ (ou 15€, os que se inscreveram durante um período promocional), o que deu direito a dois passeios pedestres, de quatro, com direito a jantar especial no sábado. Havia ainda outras hipóteses de participação (por exemplo, só o jantar, por 18€ ou um passeio por 5€).  
O grande objectivo da iniciativa é divulgar os Caminhos de Montanha - a Rede de Percursos que está em desenvolvimento no território das Aldeias de Montanha que abrangerá um total de 14 rotas com aproximadamente 100km de caminhos com todas as condições para os caminheiros.
Segundo José Pedro Calheiros, director técnico do festival, "a Serra da Estrela tem de ir mais além do que a imagem do turismo de neve. Este território tem "a Montanha" de Portugal, local privilegiado para caminhar. Acredito que todos os portugueses já terão vindo à Serra da Estrela, mas quantos o fazem fora do período de inverno?! Há que mudar de paradigma e afirmar a Serra da Estrela como a "a montanha que brilha", tanto à vista como no coração de quem por cá caminha".
O festival inclui-se numa série de acções da ADRUSE, sob a marca World Adventure, no âmbito do projecto de cooperação interterritorial Qualificação do Turismo Activo, com o objectivo de valorizar e promover os recursos ambientais do território e o seu potencial em termos turísticos. Carlos Filipe Camelo, presidente da ADRUSE e da câmara de Seia, considera o festival "um bom exemplo do trabalho na promoção e valorização do mundo rural e das suas populações", proporcionando "uma divulgação mais efectiva dos valores culturais e naturais da Serra da Estrela."

Quatro rotas 

Rota da Garganta de Loriga - vale fluvial rasgado no granito, que desce desde o cimo da Serra da Estrela até ao vale por onde corre a ribeira do mesmo nome. O percurso começa no planalto superior e percorre, sempre a descer, toda a garganta pelo seu flanco direito, utilizando os antigos trilhos de pastores, caçadores e viajantes, rodeado de algumas lagoas naturais e prados.
Rota da Eira - ao redor de Loriga, percorre um conjunto de habilidosos patamares de trabalho rural de onde é possível avistar os altos penhascos que rodeiam o vale e cursa por antigos trilhos de lavradores e pastores.
Rota da Ribeira de Loriga - a partir da Vila de Loriga, a garganta anterior dá lugar a um ribeiro de águas correntes de onde são separados vários troços por levadas de construção rural, ao longo das quais se percorre grande parte do percurso.
Rota dos Socalcos - pela aldeia de Cabeça, um dos locais mais marcantes do Vale de Loriga pela sua localização num promontório rochoso quase parecendo um presépio. Excelente conservação dos caminhos rurais e dos campos agrícolas que a circundam.

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