Na esplanada do Quiosque de Refresco da praça Luís de Camões, Rui Palma, jovem estudante de teatro, dá o pontapé de saída para a passerelle alfacinha que se segue. "O Bairro Alto era um bairro de prostitutas e marinheiros", diz. É com esta introdução histórica ao bairro nocturno da capital que arranca o vídeo publicado pelo jornal norte-americano "The New York Times".
Integrado numa série dedicada ao "street style" por diferentes cidades do mundo ("Intersection"), o vídeo percorre o centro histórico da cidade, sob mote cosmopolita e acompanhando diversas pessoas escolhidas pelos seus estilos e opções de vestimentas.
Em "Lisbon’s Stylish Crossroads", cada um vai falando das suas peças de roupa. Mas não é só a moda que prende o olhar: é que a passerelle é a cidade e cada detalhe do cenário surge em sublinhado monumental: praças, estátuas, Fernando Pessoa sentado na Brasileira, os desenhos das calçadas, a geometria da Baixa, da Rua Augusta vista do topo do arco, a Bica, os eléctricos, a praia do Cais das Colunas ou o pôr-do-sol sobre o rio com ponte e grua a cortar o horizonte.
Além de Rui - que se destaca pelo seu casaco vintage azul, t-shirt de designer português ou botas azuis compradas em Londres que lhe fazem lembrar uma canção dos Velvet Underground - , as encruzilhadas do estilo passam por Ingrid Hestwes, uma body piercer que usa minissaia japonesa e mostra os seus piercings e tatuagens, Sebastião Albuquerque que é director criativo e mostra o seu estilo cool com casaco da avó que lhe "assenta bem" ou o barrete vermelho que tem "desde os 11 anos", ou Veerle Devos, uma jornalista e guia de viagens que brilha na sobriedade de uma gabardine de Paris com mala de Lisboa a condizer.
"É uma cidade muito colorida, vêem-se cores por todo o lado, é mágica", comenta Rui Palma. E, mesmo com o vídeo produzido em dia cinzento, é essa a imagem com que muitos dos leitores do NYT vão ficar.
O vídeo pode ser visto aqui.