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Tamára Brandão e João Amorim vão passar por 15 países em sete meses

Tamára Brandão e João Amorim vão passar por 15 países em sete meses Diogo Baptista

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Ganharam o Gap Year, vão fazer voluntariado e repensar o futuro

Em mais de 300 candidatos, e depois nove finalistas, a dupla foi escolhida. A notícia chegou em Agosto. Ganharam 6.500 euros que têm de partilhar e a viagem de ida e de volta.

Estão ansiosos por saírem da zona de conforto e partirem à aventura. São 15 países em sete meses que querem percorrer em autocarros. Vão dormir em hostels, em parques de campismo ou em casas de pessoas locais através da rede Couch Surfing. Passar três semanas em regime de voluntariado numa quinta ecológica no Peru está nos planos. Nesse local, terão aulas de yoga, aprenderão a confeccionar comida vegetariana — Tamára praticamente não come carne e adora comer —, surf e espanhol. Duas semanas numa associação que apoia crianças numa vila do Peru também deverão fazer parte da viagem. Ali podem ensinar Inglês aos mais pequenos.

Nas pesquisas que se sucedem, Tamára ficou fascinada por uma ilha num local paradisíaco do Panamá. João informou-se e vão propor um Work Exchange, ou seja, fazerem o que for necessário em troca de alojamento e alimentação. Setembro e Outubro são meses de preparativos. Está decidido que são duas mochilas com roupa leve, máquina fotográfica, máquina de filmar, diário de bordo. As pesquisas não param. 

Partem em Novembro em direcção a Porto Alegre, no Brasil, com o objectivo de começarem a aventura em Buenos Aires. Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, México, Estados Unidos são os países seleccionados. Em Junho devem regressar.

Decisões cedo demais

Querem aprender mais do que está escrito nos livros que leram na escola, na universidade. Tamára faz contas ao orçamento. João garante que a ideia é “fazer o máximo com o mínimo”. Expectativas? “Que consigamos chegar ao fim da viagem e sentirmos que conseguimos aproveitar tudo o que ela nos deu, que crescemos e que aprendemos com outras culturas”, diz João. Tamára completa. “Além de termos realizado um sonho, superarmos um desafio gigante.”

Andam felizes com o conforto do apoio das famílias e amigos. “Vamos os dois com toda a gente atrás de nós”, diz João.

O que querem fazer depois do regresso? João não tem resposta. “Não sei mesmo responder.” Uma experiência de trabalho noutro país não está fora de parte. Se isso acontecer, o bilhete de volta estará garantido. “Tenho consciência de que o país nos dá cada vez menos oportunidades de vivermos cá, o que me deixa um bocadinho preocupado. Mas com esforço consegue-se encontrar alguma coisa cá.” Tamára acredita no país e quer trabalhar na sua área. “Se não conseguir, terei de aceitar a realidade e ir para fora.” Não é isso que quer que aconteça. 

Estudar, estudar, decidir, escolher, estudar, acabar os estudos, tentar trabalhar. Tamára fala nessas decisões que, na sua opinião, têm de ser tomadas cedo demais. “Os primeiros anos da faculdade são muito teóricos, não dá para percebermos se estamos ou não a gostar”, comenta. No Brasil, no Erasmus, a maioria das suas amigas tinha parado um ano antes de entrarem na universidade para viajar, fazer voluntariado, conhecer outras realidades. “Aqui é tudo muito cedo para decidir as coisas.” O Gap Year surgiu na altura certa.

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