Fugas - Viagens

Nelson Garrido

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No Visionarium, a ciência pode ser divertida

Os mais jovens são o público privilegiado do Visionarium, que pode ser visto como uma extensão, prática, da sala de aula (não é à toa que 75 por cento dos visitantes são escolas e que os currículos escolares foram tidos em conta na concepção), mas o público menos jovem também pode fazer revisão da matéria dada. Certo é que ninguém sai cientista desta espécie de mega-laboratório, mas pode sair com curiosidade de saber mais e só mesmo os mais distraídos sairão em branco.

No Visionarium somos recebidos por um vasto átrio (rodeado pela recepção, loja de recordações e bar à espera de concessionário) encimado por uma enorme cúpula de madeira. Se há escolas de visita, uma nuvem de algazarra ecoa permanentemente pelo amplo edifício de três andares. Mas, no auditório onde começa a visita, o silêncio é de ouro, enquanto se assiste a um espectáculo multi-sensorial, que estabelece um paralelismo entre as descobertas dos navegadores portugueses e as descobertas tecnológicas do presente.

É a metáfora para a visita: nós somos exploradores percorrendo as cinco salas temáticas que constituem a exposição permanente. São chamadas de "odisseias", da Terra, da Matéria, da Vida, do Universo e da Informação, e nelas somos "recebidos" pelos patronos, que nos surgem em pequenos ecrãs (accionados através de sensores), como se viessem das profundezas da memória, para nos contextualizar.

Começamos pela Terra: orientação e cartografia, mecânica, fluidos em repouso e em movimento são os eixos matrizes desta sala (onde não falta sequer uma representação de partes de um navio); e latitude, longitude, funcionamento de roldanas, de velas e de asas de avião são alguns dos conceitos a testar. Passamos pela Matéria, que é com quem diz, o mundo das estruturas moleculares, da luz, do electromagnetismo e da tabela periódica -entramos no teatro de objectos para desvendar os segredos da luz ("Onde está a cor? No objecto em si ou na luz que o ilumina?" desafia o enigma) e no caminho aprendemos que o estado de plasma é o mais comum do universo, por exemplo.

Na sala da Vida "descodificamos" o código genético (temos puzzles de DNA), exploramos os sentidos ("testes" de visão e audição com aparelhos estranhos, desafios ao nariz e assinaturas únicas -impressão digital e registo vocal) e cartografamos o cérebro. Com a entrada na sala do Universo subimos à lua e percorremos galáxias, embora não à velocidade da luz. Há telescópios (mas não há horizonte para os apontar), há a dança Terra-Sol-Lua (solstícios e equinócios, eclipses, fases, marés) e há uma sala com o sistema solar (podemos lançar um foguete a ar comprimido e jogar bilhar gravitacional para compreender os campos de atracção dos planetas).

A viagem chega ao fim na sala mais "museológica": a da Informação. É a mais pequena e deveria representar a vanguarda tecnológica. Porém, os aparelhos, como o Laser Disc Player da Pioneer, parecem anacrónicos (e, pelo tamanho, jurássicos), e ver o mecanismo de funcionamento de um rato de computador tradicional (com rolamentos) tem apenas um interesse histórico.

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