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Faróis de Portugal, luzes que acendem a costa e o mar
Muitos já deixaram de estar votados ao isolamento as suas áreas envolventes foram sendo povoadas com o avançar dos anos e, noutros casos, os locais onde estão edificados também deixaram de ser tão inóspitos como foram outrora. Mas mantêm o misticismo de sempre e continuam a apelar ao imaginário de muitas pessoas, ligadas ao mar ou não. Porque um farol será o ponto de luz que clareia a linha onde a terra se encontra com o mar e, acima de tudo, uma estrutura que tem uma história para contar.
Disso é exemplo o Farol dos Capelinhos, na ilha do Faial (Açores), com nova vida. Ainda que o seu futuro não passe por manter a actividade de farol - funcion como centro de interpretação, mantém o legado da vivência anterior e pode constituir um excelente ponto de partida para a descoberta das várias dezenas de faróis espalhados pela costa portuguesa.
No total, entre o continente e ilhas, são 56. A Fugas pediu à Direcção de Faróis da Marinha, entidade que tutela, desde 1924, os faróis nacionais, para abrir as portas de algumas das estruturas mais emblemáticas, que vão sendo especialmente procuradas nesta época do ano. Em grande parte devido ao programa “Ciência Viva no Verão”, que, desde 2002, vem lançando o convite a milhares de famílias e público em geral para que mergulhem nos meandros da ciência dos faróis.
Fora deste programa, pode sempre efectuar um pedido junto da capitania do porto onde se encontra edificado o farol que pretende visitar. É esse caminho que acabam por seguir muitos dos visitantes que, ano após ano, vão afluindo às “lighthouses” da costa portuguesa.
“São essencialmente famílias portuguesas, mas também vamos recebendo turistas estrangeiros”, conta o faroleiro subchefe Francisco Martins, cuja experiência de 26 anos lhe permite afiançar que existe já um tipo de turistas que procura especificamente este tipo de património. “Normalmente, são pessoas que estão associadas ao mar ou que, por qualquer outra razão, estão ligados aos faróis”, especifica o faroleiro do Farol de Leça da Palmeira.
No princípio era a madeira
E o que pode ficar a conhecer um visitante de um farol? Seja qual for a estrutura que opte por descobrir, certamente que irá terminar a visita com muitos mais conhecimentos do que esperava ou seja, não ficará apenas conhecedor da história e funcionamento do farol que irá pisar com os seus próprios pés. O mais provável é que seja levado a recuar até aos primórdios do assinalamento marítimo, ao início dos inícios, quando a sinalização era feita com grandes labaredas conseguidas à custa da combustão de toros de madeira e grandes mechas mergulhadas em azeite e óleos que produziam os sinais destinados a orientar os navegantes.
Deverá ser também tentado a desvendar a vertente humana dos faróis: a profissão dos faroleiros. Vivem numa casa que é, simultaneamente, o seu local de trabalho, com todas as vantagens e desvantagens que isso pode trazer. “Acabamos por estar sempre disponíveis, mas também não temos de gastar dinheiro em transportes e habitação”, relata Francisco Martins. Nos dias que correm, até podemos invejá-los, por habitarem em belíssimos recantos da beira-mar, mas a vida de faroleiro nem sempre foi fácil.