Nova viagem de eléctrico e agora, de regresso à Praça do Comércio, falamos do terramoto de 1755, esse acontecimento apocalíptico que mudou a face da cidade e apagou muitos dos vestígios do passado. Mas também das invasões napoleónicas, da fuga da família real para o Brasil. Ali ao lado, uma chamada de atenção: na Casa dos Bicos, o segundo andar parece muito mais bem preservado. O que é natural, dado que foi reconstruído a seguir ao terramoto, ao contrário do de baixo, os bicos mais desgastados a mostrarem a passagem do tempo e das águas do maremoto.
Rua Augusta, Restauradores, subida no elevador da Glória até ao miradouro de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, de onde se pode estender o olhar pelas Avenidas Novas, pólo de expansão da cidade no século XIX. Do miradouro de Santa Catarina podem ver-se sinais da época salazarista, a ponte sobre o Tejo e a estátua do Cristo-Rei, na outra banda. Mais uns passos e, junto ao quartel do Carmo (e ao convento quase destroçado pelo terramoto de 1755), recordam-se episódios da revolução de 25 de Abril de 1974, que teve momentos particularmente dramáticos mais abaixo, na Rua do Arsenal, onde o capitão Salgueiro Maia desafiou os tanques do regime.
O dia está a terminar. Houvesse mais horas de sol - e elas estão aí a chegar, que o Inverno não dura sempre - e ainda haveria tempo para visitar a zona oriental de Lisboa, onde o Parque das Nações testemunha uma nova era da cidade. Fica só a meia dúzia de quilómetros, mas a três mil anos da colina do Castelo. É assim Lisboa: pequena, mas com muito para contar.
Lisboa através dos tempos
Passeio de um dia em Lisboa.
Todos os domingos. Número mínimo de participantes: dois.
Preços: 50 euros (2-3 pessoas), 25 euros (4-5 pessoas), 20 euros (mais de seis pessoas). Transportes, guia e seguro incluídos.
Grau de dificuldade: Médio
Informações:www.natuga.net| 927807467/8/9