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Um livro-disco, uma viagem a três "terras últimas"
Numa era em que até nas viagens não há tempo a perder, eles foram sem pressa de chegar. Não sabiam de antemão o que iriam encontrar, nem tinham um extenso roteiro turístico a percorrer. Partiram à descoberta de Finisterre, Finistère, e Land"s End, três lugares com o mesmo nome em Espanha, França e Inglaterra, separados por algumas centenas de quilómetros, mas que têm algo em comum. São lugares onde a terra acaba e começa o mar. Agrestes, periféricos, melancólicos, talvez poéticos. A viagem de carro de Eduardo Brito, fotógrafo, e Sandy Kilpatrick, músico, deu origem a um livro-disco: As Terras Últimas.
Nas mochilas levaram duas máquinas fotográficas de 35mm, cerca de 15 rolos, cadernos, um gravador digital e um bloco para os esboços. Partiram de Guimarães, no final de Agosto de 2009, com a ideia concreta de fazer a viagem "não numa perspectiva antropológica", mas "para perceber como são as periferias do ponto de vista visual". "Tinha quase que uma fixação com a palavra finisterra e que já vinha de trás. E daí surgiu a ideia de conhecermos estes três lugares diferentes, em três países, mas que têm o mesmo nome", conta Eduardo Brito, 34 anos, actualmente coordenador de um projecto de fotografia documental na área de cinema e audiovisual da Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012.
Começou a fazer fotografia em Coimbra, onde estudou Direito. Fez também jornalismo e rádio. Entre 2004 e 2008, teve um programa de música na Rádio Universidade de Coimbra, com Hugo Ferreira e João Vaz, que se chamava, precisamente, Finisterra. "Não sei bem explicar [a fixação com a palavra]. Talvez comece com a ideia poética do seu significado traduzido numa palavra composta, antiga, que se torna nome de lugar, por um lado, e uma quase adjectivação, por outro. Num e noutro caso, traduzem sempre uma ideia ampla de lugar distante, de lugar onde se demora a chegar e de espaço que, quando se chega, nada tem senão o fim da terra. É um espaço de cisão, de balanço, de contemplação: da Finisterra contempla-se sempre o mar imenso, a terra inteira está ali para trás", explica.
Partiram então para Finisterre, depois para Finistère, e, por fim, depois de atravessar o Canal da Mancha, Land"s End. Três lugares unidos pelo nome, mas localizados em países diferentes. "Tínhamos esta curiosidade de saber como se faz uma viagem pela costa, periférica. Perceber o que estes lugares têm em comum e transformar a viagem num roteiro fotográfico e musical. E apresentá-lo de uma forma unusual", diz Sandy Kilpatrick, precisando depois em português: "De forma diferente, inovadora".
Há muito tempo que Eduardo Brito e Sandy Kilpatrick, músico escocês que hoje vive no Minho, alimentavam a ideia de trabalhar juntos. "E se as histórias já foram todas contadas, as viagens ainda não foram todas feitas", diz Sandy Kilpatrick. Natural da cidade de East Kilbride, perto de Glasgow, Sandy é licenciado em Inglês e Literatura Americana, viveu em Manchester desde 1995, onde iniciou o percurso artístico como vocalista e letrista da banda Sleepwalker.