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O Douro e as 7 chaves do vale sagrado
Alguns quilómetros mais à frente, passadas as numerosas curvas nesta encosta na margem esquerda do Douro virada a sul, quase a caminho das "Terras do Demo" de que fala Aquilino, é Dona Cassilda quem nos franqueia a porta da igreja de base gótica de Trevões, já no concelho de São João da Pesqueira. Mas, antes de nos revelar o seu nome, apresenta-se como "uma empregada de Nosso Senhor Jesus Cristo", desde há várias décadas, quando decidiu assumir o "compromisso sagrado" de cuidar da igreja da terra. "Não sei se vocês são dos Monumentos do Estado, daquele que caiu ou do que lá vem...", atira Dona Cassilda, nesse dia em que José Sócrates tinha acabado de anunciar a demissão do cargo de primeiro-ministro. Mas logo se faz guia da riqueza do interior desta igreja numa terra que chegou a ser residência de Verão do Bispo de Lamego. "Antigamente, dizia-se "Bispo de Lamego e Abade de Trevões"", salienta Dona Cassilda, a atestar os pergaminhos da sua aldeia. E encaminha-nos para o túmulo alegadamente de D. Francisco de Almeida, dizendo tratar-se de um vice-rei da Índia. "Foi um senhor dos Monumentos que veio cá um dia, e nos disse que tínhamos aqui uma figura muito ilustre", assegura a guardiã do templo, mostrando um pequeno papel com o nome citado.
São estas situações e estes encontros inesperados que o projecto Douro Religioso: conhecer, visitar, reconhecer quer proporcionar aos turistas e a qualquer dos visitantes portugueses e estrangeiros que procurem a região. "Queremos que as pessoas fiquem com uma ideia do valor patrimonial do Douro, mas que entrem também em contacto com a população e com a vida local", explica Varico Pereira, o coordenador deste projecto que foi lançado pela Turel, uma cooperativa de turismo religioso com sede em Braga, e que conta com a parceria da Diocese de Lamego, da Estrutura de Missão do Douro, das delegações de Turismo do Douro e do Porto e Norte de Portugal e também da Delegação Regional de Cultura do Norte.
Três roteiros
O programa Douro Religioso está decomposto em três roteiros de viagem através de 24 concelhos do território englobado pelo Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro, e que vai de Baião a Torre de Moncorvo, de Sernancelhe a Vila Flor, abrangendo as dioceses de Lamego, Vila Real, Bragança, Miranda e Porto. "É também um roteiro de aventura; é ir à descoberta dos tesouros escondidos em igrejas que normalmente estão fechadas ao público e cujo espólio constituirá certamente uma surpresa para o visitante", nota Varico Pereira.
O coordenador do projecto guiou a Fugas no roteiro Douro a 7 Chaves, o mais curto dos três que são propostos, e que sugere um circuito de quase 200 quilómetros com passagem por sete igrejas localizadas tanto a norte como a sul do rio. A intenção inicial da Turel era apresentar Douro a 7 Chaves como uma viagem para fazer num só dia, mas a experiência no terreno mostrou que, no mínimo, serão necessários dois para visitar todos os lugares assinalados, tirando deles - e da própria viagem e contacto com a população - o benefício proposto.