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Garajau: A primeira reserva marinha exclusiva de Portugal

Por Tolentino de Nóbrega

Uma praia madeirense, com vigilância durante a época balnear, de águas cristalinas e absoluta tranquilidade de toda a zona, perto da Reserva Natural Parcial do Garajau, a primeira reserva marinha exclusiva criada em Portugal, em 1986, para protecção do garajau, a ave marinha que deu nome à praia.

A reserva engloba também uma vasta área marítima que, devido à sua riqueza biológica e à extraordinária clareza das suas águas, oferece condições únicas de interesse científico, recreativo e turístico.

Em nome da protecção dos valores naturais, a pesca foi proibida e para além do mergulho, hoje, só é permitido nadar, andar à vela ou de canoa, na zona da reserva. A temperatura da água anda na ordem dos 24º nesta praia "vigiada", no topo de uma colina que se precipita em ravina em direcção ao mar, pela imponente estátua do Cristo Rei - inaugurada em 1927, quatro anos antes da existente no Rio de Janeiro, no morro do Corcovado, que "inspirou" a estátua erguida há 50 anos pelo escultor madeirense Francisco Franco, com Leopoldo de Almeida, em Almada.

O acesso à praia - de pequeno calhau roliço e, com a maré vazante, de areia negra, a testemunhar a origem vulcânica da ilha - faz-se de automóvel, através de um percurso serpenteante, até meio da escarpa, mas o resto do percurso terá de ser feito obrigatoriamente a pé. Mais cómodo, sobretudo em dias de sol forte, é optar pelo teleférico. Este equipamento faz parte do investimento público de seis milhões de euros que transformou o clandestino "bairro de lata" de veraneio numa simpática zona balnear dotada de solários, gabinete médico, apoio do Parque Natural e uma área reservada ao centro de mergulho.

No restaurante O Mero - em homenagem aos simpáticos epinephelus marginatus que seguem os mergulhadores na companhia das graciosas jamantas (manta birostris) e, com alguma sorte, ao encontro de um lobomarinho (monachus monachus) - as incontornáveis entradas de lapas grelhadas e ovas-de-espada, o caviar madeirense, dão lugar aos pratos de peixe, preferencialmente de espada-preto e bodião, acompanhados pelos novos vinhos brancos regionais ou cerveja local.

A Reserva Natural Parcial do Garajau nasceu da vontade de um grupo de cidadãos e da sua paixão pelo mundo submarino, particularmente "rendidos" à sociabilidade dos meros, uma espécie ameaçada em Portugal, mas que ao longo destes seis quilómetros de um azul profundo convivem neste habitat rochoso com todas as espécies de peixes existentes no Atlântico. Passados 24 anos sobre a sua criação, há quem receie que o desenvolvimento comprometa o objectivo inicial e exija uma monitorização que permita suportar cientificamente as vantagens da existência da primeira reserva exclusivamente marinha do país.

Como ir

Localizada na costa sul da Madeira, no concelho de Santa Cruz, entre o aeroporto e o Funchal, a praia e reserva do Garajau tem como limites o cais do Lazareto, a leste, e a Ponta da Oliveira, a oeste. Pode tomar a carreira nº 155 dos autocarros do Caniço, com partida da avenida marginal do Funchal, junto à Casa da Luz. O autocarro segue pela antiga estrada regional 101, com passagem pelo miradouro do Pináculo, uma das belas vistas panorâmicas sobre a baía e anfiteatro da capital madeirense, até ao Cristo Rei. Aí chegado, desça pelo passeio pedonal, de declive relativamente acentuado, até à praia, a que pode aceder mais facilmente pelo teleférico.

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