Fugas - Viagens

Nelson Garrido

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Aprender a reciclar no único museu do papel do país

O método tradicional ocupa a primeira sala do museu, um antigo moinho de cereal transformado em moinho de papel. Uns passos à frente, encontramos a Casa da Máquina, onde decorreu a segunda vida da fábrica. A partir de 1923, o papel começou a ser fabricado a partir da reciclagem de papel velho através de uma máquina de produção em contínuo, que substituiu o fabrico folha a folha. Tinha oito metros de comprimento, 1,7 metros de largura e produzia quatro metros de papel por minuto. Uma revolução à época, mas que faz sorrir face a algumas máquinas actuais: têm um quilómetro de comprimento, dez de largura e produzem 1200 metros de papel por minuto.

"Com o aparecimento da imprensa começou a haver excesso de papel usado", contextualiza Marques da Silva. Os "farrapeiros" andavam de terra em terra a recolher papel usado - o nome ficou, mesmo quando o papel começou a ser feito a partir de papel usado em vez de farrapos.

No século XIX, o papel produzido no Engenho da Lourença tinha como fim primordial a utilização em documentos oficiais. A utilização do papel como suporte de documentos escritos remonta ao século XIII, mas só a partir do século XV surgem as primeiras notícias sobre engenheiros papeleiros em Portugal, com destaque para os que funcionavam junto ao rio Liz, em Leiria. É, contudo, só no século XVIII que a arte de fabricar papel se afirma definitivamente em Portugal. O primeiro moinho de papel do concelho de Santa Maria da Feira data, precisamente, de 1708.

A situação muda com a chegada da máquina de produção em contínuo. A fábrica vira-se para o papel de embalagem. No museu encontram-se ainda mesas e outros vestígios da actividade das sacarias, que existiam na região e ali compravam papel para produzir cartuchos. Era um "método simples que alimentava muitos negócios familiares", antes do aparecimento dos sacos de plástico, nos anos 1970. O plástico "levou a que grande parte destas unidades fabris de pequena dimensão se vissem seriamente ameaçadas". O mercado mudou, mas na região ainda existem algumas unidades papeleiras de referência, como a Zarrinha.

Actividades para crianças

Todas as terças e quartas-feiras, das 10h00 às 11h30, há oficinas para crianças no museu. Na próxima quarta-feira, por exemplo, a partir de um filme sobre a importância da reciclagem, as crianças entre três e seis anos vão proceder à triagem do papel usado, agrupando-o por cor e características, para produzir uma nova folha. As inscrições podem ser feitas através dos serviços educativos do museu (telefone: 227442947; e-mail: educativos@museudopapel.org). Há ainda vários jogos didácticos à venda no museu.

Museu premiado

O museu recebeu uma menção honrosa na categoria Melhor Museu Português dos prémios de museologia da Associação Portuguesa de Museus no triénio 2003-04-05 e o prémio Melhor Serviço de Extensão Cultura, em 2006.

Marcas de água

Para além de maquinaria e artefactos oriundos de vários pólos da indústria do papel, o museu expõe uma colecção de papéis com marcas de água nacionais e europeias dos séculos XVI a XX.

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