A Quinta da Paiva Parque Biológico da Serra da Lousã tem, por isso, objectivos didácticos, mas não só. Tem também uma missão social que quer ver cumprida. Na Quinta da Paiva quase todo o trabalho é assegurado por portadores de doença mental ou com deficiência mental e/ ou física. São eles que tratam da limpeza, da alimentação, do bem-estar dos de quatro patas, entre muitas outras tarefas. A Quinta já venceu mesmo o primeiro prémio Nacional do European Entreprise Awards/ Prémio Internacional de Empreendedorismo na Categoria de Investimento Humano, atribuído pelo Ministério da Economia/ IAPMEI, em 2007.
O projecto resulta de uma parceria entre a Associação para o Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo (instituição privada de solidariedade social, sem fins lucrativos) e o Município de Miranda do Corvo. Se decidir meter-se a caminho, saiba que pode optar por passear pelo espaço livremente, usufruir de forma calma, ao ritmo que quiser, ou optar por uma visita guiada, na qual pode escolher, entre outras, actividades como equitação. Há também programas especiais para grupos e escolas que incluem iniciação à equitação, exibição de engenho de água com tracção animal, passeios em carroça, entre outras possibilidades.
Três mil visitantes
Quando estiver a passear pela quinta, vai ouvir barulhos mais ou menos familiares depende do contacto que tiver com a natureza como o grasnar dos patos, o zurrar dos burros e o mugir das vacas.
Já viu um porco de raça alentejana? Nós vimos porcas que, por sinal, estavam "gordíssimas", segundo Pedro Faria. E veados? Já viu? Nós fomos um pouco mal recebidos por um macho que não apreciou nada a nossa presença. E gansos? Também vimos. Nós e os cerca de três mil visitantes que o Parque Biológico da Serra da Lousã já recebeu, desde que abriu, em Junho de 2009. Ouvimos patos, rãs. Só não vimos as lontras que costumam fazer um sucesso, mas neste dia estavam a dormir... Águias, milhafres, rolas, perdizes, cavalos, burros, cágados, cães (como o rafeiro do Alentejo, o simpático Napoleão, e o serra da Estrela, o já enorme em tamanho, mas pequeno em idade, Mondego). Mais? Ratos e ratazanas, esquilos e chinchilas, ouriços-cacheiros e ginetas. E os responsáveis ainda querem lá o lobo e o lince ibérico. Todos estes animais podem ser vistos com alguma proximidade, porque, embora estejam integrados em ambiente de floresta, vivem dentro de cercas, ainda que amplas.
Na quinta existe também um labirinto de frutos - quem quiser pode perder-se à vontade no meio de cheiros, folhas e flores. Trata-se de uma homenagem aos viveiristas da região. O labirinto tem cerca de 320 árvores de 21 espécies distintas, num espaço de 16 corrimões que ocupam um quadrado com 1000 metros quadrados. Ao lado, há um roseiral que ocupa uma área de cerca de 400 metros quadrados. E existe também um fluviário, uma série de aquários onde se podem ver várias espécies de peixes dos afluentes da região - o rio Dueça passa mesmo na quinta - como a carpa, o góbio, a perca, o pimpão, a truta, entre muitos outros.