Fugas - Viagens

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    Os cavalos-marinhos em Maracaípe

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Cavalos-marinhos e outras belezas litorais de Pernambuco


Primeiras reacções

A visita aos cavalos-marinhos do Pontal de Maracaípe é uma experiência mística, uma coisa única (ou pelo menos rara) no mundo e, como quase todas as maravilhas da natureza, está ameaçada de morte. As causas são previsíveis e até estão à vista. É a pressão dos especuladores imobiliários, que não param de construir hotéis e resorts, mas também a ocupação selvagem dos sem terra, que concorrem para o desmatamento crescente do mangue. A própria qualidade das águas do Maracaípe está em causa quando Ipojuca, o município que o rio atravessa, está ainda muito carecido de saneamento básico.

Em risco está a reserva dos cavalos-marinhos, todo o ecossistema do Pontal de Maracaípe, mas também a subsistência de meia centena de famílias de pescadores e jangadeiros. Alguns passos decisivos no sentido contrário, ou seja, em direcção à regeneração e ao turismo sustentável começam, por outro lado, a ser dados. A área do estuário está agora classificada como reserva ecológica com um cartaz bem visível à entrada, prometendo detenções no mínimo de um ano para quem cometer crimes ambientais, como colectar ou manejar cavalos-marinhos - que morrem se estiverem nem que seja um segundo fora de água.

Mais recente é o projecto Hippocampus (nome da classe a que pertencem todas as 32 espécies de cavalos-marinhos), nascido em Porto Alegre, mas transferido para Porto Galinhas, por convite da edilidade de Ipojuca. Lançaram em finais do ano passado um programa educativo, que além da implantação de um centro de visitação e educação ambiental no Pontal, visa "capacitar" os jangadeiros e, mais em geral, instruir a população escolar das redondezas. O programa tem um custo próximo de um milhão de euros, é financiado pela Petrobras (maior empresa do Brasil) e visa sensibilizar/mobilizar os actores locais, doravante designados de agentes ambientais.

No futuro, seguramente, os passeios e as próprias embarcações que navegam no Maracaípe serão mais formatados, o acesso aos cavalos-marinhos mais condicionado e o visitante terá um contacto com a natureza muito próximo de um parque temático. Mas esse é o preço a pagar, afinal, para o selvagem se manter (mais ou menos) selvagem. A mesma tendência se verifica, aliás, em relação às famosas excursões de buggy pelo areal, uma das imagens de marca do turismo no litoral de Pernambuco. Estes veículos estão agora proibidos de circular na praia, por uma variedade de razões entre as quais se destaca a desova das tartarugas, comum em toda costa sul do Recife, mas com especial incidência na Praia de Maracaípe, logo a seguir ao Pontal.

Desafio coral

Há dezenas de praias mais ou menos desertas, disseminadas pela costa, acima e abaixo de Porto Galinhas. Já a praia da Vila é uma confusão bestial, sobretudo ao fim-de-semana, férias escolares e afins. A concentração de chapéus forma um escudo colorido, tão compacto que quem for depois das nove na manhã nem precisa de levar protector solar. Já chegar à água, ali mesmo a dois passos, pode ser mais complicado, quando é preciso fazer caminho por uma selva de cadeiras, sacos de praia e geladeiras. Apesar ou justamente por causa destes magotes de gente há um interminável batalhão de vendedores em circulação permanente por entre os raros espaços livres, apregoando e carregando uma variedade de artigos que vai de flores a artesanato, passando por toda a espécie de comes e bebes.

É uma enorme balbúrdia, sem dúvida, mas é por isso mesmo que Porto Galinhas tem piada. Porque é um salão de festas à beira mar, um dos sítios onde os pernambucanos mais gostam de confraternizar com os seus e meter conversa com os outros. A socialização acontece sob o signo de uma fabulosa jóia natural que cintila no mar, a escassa meia centena de metros da areia. São as chamadas piscinas naturais recortadas por um paredão de recifes, que se alonga por vários quilómetros. Apesar de não durar mais de cinco minutos, a viagem que se empreende para lá chegar em jangadas de velas coloridas com estampados publicitários é parte fundamental da diversão, o género que faz o turista sentir-se vedeta de um filme romântico, rodado algures nas Caraíbas.

Mas o turismo tem uma tendência natural para matar aquilo que ama e Porto Galinhas não é excepção. Entre o carinhoso embalo da jangada e a excitação de dar de comer na mão a centenas de peixes tropicais, os turistas nem reparam por onde andam. Na verdade, há alguma incerteza a esse respeito. Alguns dizem que são recifes formados por corais. Ou seja, nem rochas, nem vegetais, mas animais (da mesma família de invertebrados das alforrecas, anémonas e hidras) de uma extrema fragilidade, que podem estar a ser asfixiados por quem lhes pisa a boca. Outros dizem, porém, que são recifes de arenito, resultantes da consolidação de antigas praias ou bancos de areia, de facto, a formação mais comum nas costas do Recife. Nesse caso, obviamente, não se trata de seres vivos, mas nem por isso os cordões de arenito constituem um ecossistema menos sensível.

Os activistas não demoraram a vir a público alertar para a degradação dos recifes, o que levou os jangadeiros a tomarem a iniciativa de demarcar uma zona de protecção, ou de exclusão de visitas. Até que a prefeitura de Ipojuca decretou a redução da área visitável de 30 para 7 por cento do recife, onde as visitas passaram a ser seguidas por agentes ambientais. Assim, por exemplo, se nalgumas piscinas naturais se continua a poder alimentar os peixes, noutras - como o caso da mais famosa, aquela que tem a forma do mapa do Brasil -, há agora um cordão de segurança, que obriga os visitantes a ficarem à distância.

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