Dali a nada já estão entretidos noutra secção, chamada "pezqueñices", um viveiro com crias de tubarões, enguias, rodovalhos e minúsculos peixes-agulha. Mas aquilo que lhes arranca as maiores expressões de espanto são os ovos de raia e tubarão, colocados num expositor iluminado de forma a podermos observar os movimentos dos irrequietos embriões. Ao lado, um painel mostra os recordes das maiores posturas (continuamos a falar apenas dos peixes do Atlântico); ali aprendemos que uma única sardinha produz ao longo da sua vida entre 50 a 60 mil ovos, uma ninharia se comparados com a média de três a oito milhões que uma fêmea de congro desova.
Apesar do tanto que já vimos e aprendemos, ainda a visita não vai a metade. Depois da vitrina dos fósseis, dos complexos nós de marinheiros, da fila de frascos com areia das várias praias galegas (aprendi que a de Laxe, uma das minhas preferidas, é a que tem a areia mais fina) e do recanto das baleias, ainda regressámos aos barcos telecomandados para uma corrida em família. Quem venceu? A fome, que começava a apertar...
Ao encontro de Nemo
A pausa para almoço é aproveitada para os deixar brincar um pouco no terraço, à sombra da Torre de Hércules, o mais antigo farol de origem romana ainda em uso, recentemente acrescentado à lista da UNESCO como Património da Humanidade. Como a Casa de los Peces (nome por que também é conhecido o Aquário) foi construída sobre os rochedos costeiros, dali só vemos um horizonte marinho, como se estivéssemos na proa de um navio a tentar perscrutar bandos de golfinhos. Entretanto chega a altura de irmos, literalmente, à procura de Nemo.
A busca ganha contornos de aventura ao atravessamos um corredor em tudo semelhante ao interior de um submarino, com as paredes em metal, instrumentos para medir a profundidade e a pressão e portas estanques.
O mistério adensa-se quando, ao descermos por uma escadaria de madeira, se começa a ouvir música sinfónica. Logo descobrimos que estamos no Nautilus, mais concretamente no escritório de Nemo, o capitão de Vinte Mil Léguas Submarinas. O cenário segue à risca a descrição do livro de Júlio Verne. Os armários do século XIX guardam louça em porcelana e colecções de conchas, há cartas marítimas espalhadas, velhos mapas emoldurados, cadeirões sobre tapeçarias e uma mesa com entalhes dourados na penumbra. Atrás, rente ao vidro da janela, desfila um tubarão-touro, seguido por um cardume de robalos. Estamos no centro de um tanque com mais de quatro milhões de litros de água, que alberga uma trintena de espécies de peixes, de peixes-lua a rodovalhos. Poderia ser apenas mais um aquário, mas este ambiente de fantasia dá-lhe um toque mágico, que fascina tanto os adultos como as crianças.
Ao regressarmos à superfície, os olhos têm de se habituar à luz para atinar com o acesso para a piscina das focas, situada numa zona banhada pelas marés. Quando julgávamos que as emoções tinham terminado, ainda há este bailado dos dorsos cinzentos a rodopiar na água, espreitando de quando em vez a reacção dos espectadores de palmo e meio. Estes depressa se esquecem como tinham ficado desapontados por falharem a hora da alimentação.