Últimos dias de férias passadas na costa galega. Já havíamos conjugado todas as formas possíveis de diversão na praia, desde piqueniques ao crepúsculo à exploração de poças de maré, de mergulhos em apneia a pescarias em tardes de morrinha, passeios pelos areais, descoberta de lagoas costeiras. Mas o garoto, cujo filme favorito é À procura de Nemo e diz que um dia há-de ser biológo marinho, ouviu-nos numa conversa com um casal de espanhóis que aconselhava vivamente a visita ao Aquário Finisterrae, repetindo "a los niños, les encanta".
E assim o que era apenas uma hipótese passou a plano definitivo quando as previsões meteorológicas avisaram céus nublados para a manhã seguinte.
Cerca de uma hora de caminho até à Corunha, faz-se bem em auto-estrada. Se estivéssemos em Sanxenxo acrescentaríamos uns quarenta minutos, um pouco mais ou menos conforme o sítio escolhido para descanso estival. De qualquer forma, uma distância razoável para uma saída de um dia, que pode ser complementada com visitas ao planetário da Casa das Ciências e ao Domus, museu inteiramente dedicado à evolução e genética do ser humano.
Quanto a nós, adivinhávamos já que a duração média de duas horas prevista para a visita do Aquário Finisterrae seria estendida para mais do dobro, à conta de crianças que gostam de investigar tudo até ao tutano, das exposições temporárias de fotografia dedicada à temática marinha ao jardim botânico com espécies do litoral galego, não esquecendo as brincadeiras na enorme âncora pousada no terraço.
Peixes, peixões, peixitos
A excitação dos muitos "já chegamos?" e a corrida para a bilheteira dá lugar à observação atenta assim que nos aproximamos dos primeiros reservatórios, dando razão aos que afirmam ser o azul uma cor relaxante. Ou então é o vaivém hipnótico dos cardumes que os obrigam a atentar nas espécies distintas, ajudados por painéis informativos com os seus nomes em várias línguas. Há sardinhas e peixes-rei, bodiões e corvinas, douradas e linguados camuflados no fundo arenoso. O desfile continua ao longo de cinco tanques com enormes congros e sinuosas moreias a rivalizarem no misto de fascínio e medo que provocam às crianças. O que aqui não existem são animais de longitudes exóticas. A sala Maremagnum, que ocupa grande parte do primeiro piso, é inteiramente dedicada às espécies do Atlântico, com especial incidência nos ecossistemas marinhos da Galiza. Por isso, um dos tanques mostra peixes a nadarem entre cachos de mexilhões, tal como acontece nas rias galegas, de onde sai a maior produção mundial destes bivalves.
A sala estende-se agora para uma zona multifacetada onde os grupos se espalham. Os miúdos dividem-se entre os jogos, os aquários de medusas que admiram de olhos arregalados e a Poça das Carícias. Cautelosos no início, tacteiam as estrelas-do-mar, as carapaças dos caranguejos e os picos dos ouriços. Quando algum catraio se torna mais audaz e os afagos se transformam em apertos, os monitores chamam--no para ver à lupa os camarões mais pequenos ou os detalhes das anémonas.