Fugas - Viagens

  • Parque Natural do Tejo Internacional (arquivo)
    Parque Natural do Tejo Internacional (arquivo) Miguel Madeira
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    Parque Natural do Tejo Internacional (arquivo) Miguel Madeira
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BMW X Experience - A Primavera não fugiu da raia

No centro de dia prepararam-nos um lanche e o chá bravo, que nos dizem, simplesmente, ser feito "de umas ervas que há para ali, nos campos". Tem uma suavidade que não condiz com o nome e que cativa toda a gente. Canecas e mais canecas chegam vindas da cozinha, apenas para serem devolvidas, vazias, num ápice.

O dia já vai longo, mas não termina sem que nos cruzemos com um homem, perdido no meio dos campos, na companhia de velhos carros escavacados, alguns cães e cabras. Nem sem que subamos uma verdadeira parede de terra, que o carro só vence à segunda tentativa. Voltamos ao Hotel Fonte Santa com o sol já a querer esconder-se para lá dos montes, mas sabemos que a noite ainda nem começou. Porque o jantar, avisaram-nos, será medieval, noutro hotel ali ao pé, o Astória, e promete durar umas quantas horas.

Dura, de facto. Os bancos corridos ladeiam mesas compridas, numa tenda aberta por onde vai entrando o vento fresco trazido pela noite. Os pratos sucedem-se e os pães tradicionais, a sopa de legumes ou o porco assado no espeto com castanhas vão chegando e desaparecendo ao prato feito de pão de cada um dos convidados. Mas quem já experimentou um jantar medieval organizado pela companhia de teatro Viv’arte sabe que a comida não é o único atractivo. Quem verdadeiramente faz a festa são os actores da companhia fundada em Oliveira do Bairro (Aveiro) e especializada em recriações históricas, com cenas cómicas a sucederem-se, sem descanso. Há bobos e lutadores, lavadeiras e casamentos fingidos, com a participação mais ou menos voluntária dos comensais e, antes que a festa termine, homens a comer fogo. Depois vem fogo-de-artifício. Carros é que não.

Entre grifos e fósseis
Os carros só voltam a ser protagonistas no dia seguinte, o último do passeio. A manhã leva-nos de novo a ter o rio Erges por companhia, enquanto percorremos alguns dos trilhos da Herdade do Vale Feitoso. Com sete mil hectares, a herdade chegou a ter duas escolas a funcionar no seu interior, mas agora é, sobretudo, território de caça e de safaris fotográficos para os amantes da natureza. Por lá há (garantem-nos) veados, gamos, javalis, muflões e grifos.

Nós vemos o rio, que nos acompanha à direita, durante o primeiro trecho do caminho. Vemos as estevas e os campos verdes, mas nada de veados ou javalis. Não duvidamos que eles andam por ali, e até há quem tenha fotografias a prová-lo, mas aparentemente não se dão bem com o barulho dos motores de automóveis, esforçando-se pelos caminhos de terra e pedra, e não há maneira de os conseguirmos vislumbrar.

Já os grifos (ou serão abutres?) aparecem, sem vergonha, numa zona de rochas altas e escarpadas, sobrevoando-nos a curta distância. Dali a pouco havemos de vê-los outra vez, a voar ao longe, enquanto esquecemos a sede e a fome num lanche improvisado num dos prados da herdade.

Quando abandonamos o Vale Feitoso sabemos que o caminho, agora, é até Penha Garcia e o seu Parque Icnológico, recheado de fósseis com 480 milhões de anos, no vale do rio Pônsul. Antes, porém, é preciso lidar com os primeiros – e últimos – problemas automóveis de todo o fim-de-semana. Duas avarias, no mesmo local e afectando a bomba de água, que obrigaram ao reboque das viaturas, e dois pneus furados resumem as baixas. Nada que impedisse os participantes de continuarem até Penha Garcia e ao almoço, no Clube de Pesca e Tiro de Monfortinho. Mas já lá vamos.

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