Fugas - Viagens

  • Parque Natural do Tejo Internacional (arquivo)
    Parque Natural do Tejo Internacional (arquivo) Miguel Madeira
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    Parque Natural do Tejo Internacional (arquivo) Miguel Madeira
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BMW X Experience - A Primavera não fugiu da raia

Aqui, no primeiro troço de estrada, passamos também por oliveiras e árvores baixas e antigas cobertas de líquenes. Há aldeias abandonadas, cujos nomes aparecem assinalados no road-book (o nosso indispensável guia de viagem). Arraial é uma delas. Passamos pelo conjunto de casas a cair antes do nosso primeiro corta-fogo. O carro sobe, sobe, por um caminho duro e pejado de pedras, deixadas para trás pelas chuvas que arrancaram a camada mais superficial do solo. Felizmente, para já, não há pneus cortados a ressentirem-se do caminho e, antes que demos por ela, chegamos ao primeiro dos dois santuários da manhã – o de Nossa Senhora do Loreto, em Alcafozes.

A capela é pequena e livre de grandes decorações e a atracção mais característica do espaço é mesmo o pequeno avião T37 (a santa é a padroeira da aviação), que foi oferecido pela Força Aérea Portuguesa ao santuário, tendo integrado, anteriormente, a patrulha acrobática Asas de Portugal. Para nós, a paragem é bem-vinda não só pela envolvente, mas pela oportunidade de esticar as pernas e de reconfortar o estômago, que já pedia algo de comer e de beber. Os quadrados de pizza, o pão recheado de carnes e as miniaturas de pastéis de nata são mesmo bons, não são?

Antes do almoço, em Idanha-a-Nova, e da visita ao Centro Cultural Raiano - onde estão preservados os utensílios usados na agricultura, através dos tempos, na região -, a caravana ainda pára na Senhora do Almortão, que só conhecíamos da canção do Zeca Afonso, mas que, sabemos agora, teve na sua origem uma imagem encontrada no meio da murta e que, transportada para longe dali, acabaria por desaparecer para ser encontrada no local em que primeiro fora descoberta. Ao que reza a lenda (porque há sempre uma lenda associada a estas histórias), as tentativas de mover a imagem repetiram-se, mas o resultado era sempre o mesmo, pelo que se concluiu que o melhor era construir uma ermida no local onde a imagem fora encontrada e guardá-la aí.

Depois do almoço, com o estômago reconfortado e o corpo a descansar finalmente do bambolear causado pelo piso pouco certo, é sempre difícil recomeçar, mas a tarde acaba por se revelar ainda mais animada do que a manhã e não conseguimos tirar os olhos da paisagem.

Visita a Espanha
Passamos por Rosmaninhal e o seu velho pelourinho, classificado como imóvel de interesse público desde 1933, e é nesta freguesia de casas brancas que abandonamos, de novo, a estrada, para nos embrenharmos por um caminho estreito, ladeado por muros de xisto, até nos vermos, outra vez, em campo aberto, acompanhados pelo rosmaninho, a caminho do marco geodésico de Cabeço Alto.

Lá em cima, há quem arrisque trepar pelas escadas de ferro que sobressaem do marco, até um varandim, mas não é preciso fazê-lo para poder usufruir de uma vista única. A toda a volta, seja qual for o local para onde olhemos, a paisagem estende-se a perder de vista, como se estivéssemos verdadeiramente no centro do mundo.

Os carros não param por nada. Sobem corta-fogos, atravessam estrados, passam rios a vau. É sábado e não há baixas entre os veículos (isso há-de ficar para o dia seguinte). O nosso próximo destino é Segura, na fronteira com Espanha, mas não resistimos a atravessar a ponte romana sobre o rio Erges, fugindo às instruções do road-book só desta vez. Vamos a Espanha, tiramos umas fotografias da ponte e das aves de rapina que a sobrevoam e regressamos a Portugal. Em Segura, espera-nos uma igreja caiada, ocupada pelas vozes de mulheres que rezam o terço. Cá fora, nos bancos em torno da pequena praça, há velhos sentados à sombra e na torre sineira da igreja uma cegonha afadiga-se a dar de comer às crias no seu típico ninho largo.

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