Fugas - Viagens

  • Rui Barbosa Batista fotografado no Porto
    Rui Barbosa Batista fotografado no Porto Nelson Garrido
  • Rui Barbosa Batista fotografado no Porto
    Rui Barbosa Batista fotografado no Porto Nelson Garrido
  • Etiópia
    Etiópia Rui Barbosa Batista
  • Índia
    Índia Rui Barbosa Batista
  • Filipinas
    Filipinas Rui Barbosa Batista

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Ele conta 100 países no passaporte e os melhores são os “complicados”

Viciado no “imprevisto”

“Nas minhas viagens, a regra é: se queres tudo direitinho, vai com uma agência de viagens.” Rui é viciado no “imprevisto” — e a imprevisibilidade, como as histórias, é mais incrível nos “países complicados”. Os favoritos são, sempre, “os menos ortodoxos”. “O primeiro mundo, a mim, não me puxa muito”, confessa. “É muito igual em todo o lado. As paisagens mudam, sim, mas não experimentas propriamente dificuldades inesperadas.” Quando as coisas correm mal — e às vezes correm, claro, não se conhecem 100 países sem alguns calafrios —, “ficas com uma grande história”. “No momento, sofro; mas enquanto estou a sofrer, já estou a pensar como vou contar aquilo.”

Em “países direitinhos” seria mais difícil coleccionar momentos como aquele que viveu, em 2005, na Tunísia (e que relatou numa crónica, publicada no P3 em 2012). Num mercado turístico, Rui conheceu Muammar Abu Minyar al-Gaddafi (Khadafi), com quem conversou durante uns minutos entre “capangas e repórteres de imagem”. “Foi uma conversa cinco estrelas, sobre Portugal.” No fim, o fotógrafo oficial acedeu ao pedido de imortalizar o momento e as imagens foram entregues, em casa do jornalista, que recebeu correio de Khadafi.

É a prova de que o mais importante, nisto de viajar muito, “são mesmo as pessoas” — e a “gente verdadeiramente incrível” com a qual se tem cruzado, nos últimos 20 anos, tem mudado a sua consciência. Passar várias semanas na China, na África do Sul ou na Etiópia é benéfico até “para perceber que nós, no Ocidente, estamos com valores completamente invertidos”, reflecte. O mesmo é válido para o Irão — “possivelmente, o país de que mais gostei até hoje” — ou para a Colômbia, tudo estados “menos recomendáveis”.

Entre fotografias, vídeos e textos no Born Freee, Rui vai guardando o que vive mundo fora. Os carimbos ficam gravados no passaporte. Ou nos passaportes, que 101 países obrigam a mais do que um livrinho. “É uma relação difícil de explicar”, descreve, esta com o documento de identificação que abre fronteiras. O primeiro de todos, “com o carimbo do sítio mais austral do planeta”, nunca lhe foi devolvido: “Tenho um trauma por ter perdido esse primeiro passaporte que tanto me orgulhou.”   

Finda a viagem no 101.º país, Rui já estará a pensar na próxima. A Argélia está na mira já para o próximo ano, bem como outro desejo antigo, o Quirguistão. Pelo meio, gostava de explorar mais o interior de Portugal. “Temos paisagens brutais, natureza profunda, paz, gente brutal, e eu tenho saudades do Portugal da minha infância e que ainda se consegue encontrar em aldeias pequenas.” Ir, conhecer pessoas, sentar-se num banco de pedra e ficar por lá. “As pessoas também gostam de falar com estranhos.”

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