Fugas - hotéis

  • Abel Coentrão
  • Abel Coentrão
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  • Restaurante
    Restaurante DR
  • Quarto madeira
    Quarto madeira DR
  • Suite floral
    Suite floral DR
  • Quarto frutado
    Quarto frutado DR

A terceira e perfumada vida da antiga pensão Primavera

Por Abel Coentrão ,

Uma antiga pensão reabriu as portas em Vidago, com um ambiente perfumado e uma promessa de descanso (muito) bem alimentado, à porta do parque termal onde estão as fontes que já deram grande fama à vila.

É tudo uma questão de palavras. Tivemos as termas, quase esquecemos as termas e, agora que lhes chamamos spa(salus per aqua), voltamos a querer encontrar a saúde por via da água, coisa que já os nossos avós faziam mesmo que de latim, só soubessem o que ouviam na missa. O termalismo tem sido alvo de generosos investimentos em Portugal e, por via deste ressurgimento, localidades que quase se tinham apagado numa bucólica irrelevância voltam a exigir o seu nome a negrito no mapa, para que não as percamos de vista quando nos fazemos à estrada.

Vidago, ali na EN2 entre Vila Pouca de Aguiar e Chaves, é um destes lugares de Portugal à espera de uma segunda oportunidade. Que há-de jorrar, como a primeira, através da água hipersalina e gasocarbónica, fria ao contrário das de Chaves, que brota das suas fontes. Ainda que por aqui já ninguém a injecte no corpo, como antigamente se fazia, uma injecção de ânimo, arrastada pela reabilitação do magnífico Palace Hotel, parece ter feito mexer a vila, para onde está prometido um investimento que transformará a desocupada estação ferroviária da Linha do Corgo num balneário público.

A menos de 500 metros da velha gare, ao fundo da lindíssima Alameda Teixeira de Sousa, recta bordejada de grandiosos plátanos a indicar-nos o caminho do parque das termas, a famíllia de Vicência Rosa Branco Rodrigues adiantou-se a essa imagem de uma Vidago de novo pujante. Na qual o ar devoluto de alguns edifícios dará lugar a paredes renovadas e a um borbulhar de gente nas ruas. Mãe e filhos, donos da antiga pensão Primavera (Est. 1973), fecharam-na para obras profundas de ampliação, e, apoiados por fundos europeus, abriram, a 15 de Dezembro, o Primavera Perfume Hotel. Um três estrelas que, se pouco tem que ver com o seu passado recente, menos ainda nos lembrará o antigo Chaleterguido por Álvaro Branco na primeira metade do século XX, no qual já se recebiam aquistas, a título particular.

Dirigido pelo neto do fundador, Rui Branco, o novo hotel mantém as vistas para um dos mais belos parques do país, mas ganhou em espaço e ambição. Tem agora 32 quartos, distribuídos por alas que, com os seus tons ora quentes, ora frescos, evocam os aromas que as distinguem: Oriental, Amadeirado, Floral e Frutado. Perfumes made inPortugal garantidos por essências da marca portuense Portus Cale, e que se sobrepõem ao cheiro a novo que, mês e meio depois da abertura, seria de esperar encontrar por aqui.

À Fugas ficou reservada uma das suites da ala Oriental, com um toque bem presente de jasmim a pontuar a alvura do espaço. A decoração é simples, contemporânea e eficaz no propósito de relaxar a vista e o físico. E não é difícil deixar o corpo adormecer em tal ambiente, principalmente quando, lá fora, o Inverno vai tocando, a gelo, a sua própria sinfonia. Mas perante a promessa de um dia límpido, a vontade de acordar também é muita. 

Aqui é possível começar o dia enganando a estação, com umas braçadas na piscina interior, antítese perfeita, com o seu jaccuzi relaxante, do lago que, no jardim, acorda gelado. A piscina (há outra no exterior, à espera do Verão), como as massagens que estarão disponíveis já por estes dias, são o toque de requinte deste novo hotel que não foge ao destino de Vidago: viver da água. Através de protocolo com o Palace, os clientes do Primavera podem ainda aceder aos tratamentos disponíveis no spadesta unidade de cinco estrelas. E a oferta ficará mais alargada quando, ao cimo da rua, abrir o prometido balneário público. 

Depois, o desenho das ruas, ainda que de árvores despidas, é um convite a longos passeios a pé, em percursos que incluem, obviamente, o próprio interior do parque termal, aberto ao público a partir das 8h00. Não é permitido fotografar dentro deste espaço já centenário detido actualmente pela Unicer. Os edifícios, entre os quais se contam as famosas buvetes, espaços de fruição da água termal, foram reabilitados, alguns foram afectos a novos usos, mas o arvoredo, esse deixa bem marcada a passagem do tempo, proporcionando sombra e um ar saudável a um lugar que nos promete saúde.

E se isto é assim no Inverno - estação muito adequada aos medalhões de porco perfumados a alecrim que nos serviram no restaurante do hotel, com uma carta muito ligada aos produtos da região - vale a pena tentar imaginar como será na Primavera. Quando a natureza, pujante, começar a disfarçar a verde a lentidão com que Vidago recupera. No dia 21 de Março a famlía Branco promete inaugurar a estação e a nova vida, a terceira, da casa onde nasceram. E onde, como no tempo do avô Álvaro, se continua a receber, bem, quem chega a Vidago à procura de descanso.

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