Fugas - hotéis

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O renascer da Cidadela

A verdade é que "é difícil escolher um quarto mais emblemático que outro por serem todos tão diferentes", explica Metello. Há quartos e suites com vista para a marina, outros que espreitam a praça e ainda os que oferecem acesso quase directo à piscina e spa, que se espraiam sob o solário, onde os olhos se perdem na extensa vista. Nos seus interiores, uns oferecem a brisa marítima nas suas varandas; outros, áreas separadas de quarto e de estar; uns quantos, mimos, caso de um discreto tocador. 

A diversidade dos aposentos, algo pouco comum num hotel desta dimensão - 108 quartos e 18 suites, traduzindo-se na maior pousada do grupo no país -, não resultou apenas do acaso ou da vontade, mas muito da necessidade. A arquitectura assim o impunha: "temos quartos com um pé direito de 10 ou 12 metros (...) e outros em que a disposição da mobília teve de ser desenhada especificamente para ali". Assim, o projecto, da responsabilidade da dupla Gonçalo Byrne e David Sinclair, foi sendo adaptado ao que já lá estava. "Apesar de terem sido construídas alas novas, tentámos respeitar todas as quotas, tudo aquilo que estava cá dentro. E tudo o que foi construído foi baseado no que já existia." Depois, a decoração, a cargo de Jaime Morais, não podia esquecer a história da fortificação, de Cascais e de toda a região envolvente. E, assim, através de telas dos Story Lovers (Santo António e Infantaria 19; Iluminação Eléctrica; Rei D. Carlos; Corte na Praia; Pescadores; Eça de Queiroz; "Vencidos da Vida"; e Marechal Carmona), de vários apontamentos ao longo dos múltiplos corredores brancos ou até mesmo com o seu restaurante (Maris Stella, baptizado com o nome do último iate de D. Carlos) reconstrói-se o passado ao mesmo tempo que se lançam pedras para erigir um futuro com mais memórias, tecidas em pequenos momentos.

Um desses instantes terá entretanto ocorrido: a colocação de 600 andorinhas de Bordalo Pinheiro de modo a comporem um esvoaçante bando numa das paredes do grande hall. Este, um piso abaixo da entrada, aproveita o declive natural do terreno. Aqui, toma-se o pequeno-almoço e pode-se ficar até tarde a bebericar um chá ou a comer um snack tardio. A obra teve de ser terminada já de portas abertas e daí veio a ideia de convidar os hóspedes a colocarem a sua própria andorinha: "Daqui a 15 ou 20 anos, quando passarem aqui com os seus netos, queremos que possam dizer ao neto ''aquela foi a andorinha que eu pendurei'."


Uma nova alma
Lá fora, na ampla praça que acolhe os vizinhos da pousada - o Museu da Presidência, a capela Santa Maria da Vitória, o restaurante A Taberna ou várias lojas de marcas nacionais, o movimento começa cedo. Ainda tímido durante a semana, mas logo no fim-de-semana de abertura, conta-nos Maria João Simões, coordenadora de eventos da unidade, já se observou um corrupio de curiosos. Com a cisterna manuelina em destaque, de frente para a discreta entrada da pousada, a praça vai-se compondo com o avançar do dia com esplanadas e vida.

"A cidadela vai ser usada tanto pelos nossos hóspedes como pelos locais e pelos turistas que passam a Porta de Armas e têm aqui uma série de lojas ou um restaurante com entrada directa", refere Metello. As sinergias com o município prometem ainda alargar-se ao longo deste ano, com "um projecto cultural que irá fazer parte da Agenda Cultural de Cascais", a iniciar-se no Verão, ou com a abertura de uma discoteca.

Nome
Pousada de Cascais
Local
Cascais, Cascais, Avenida Dom Carlos I - Cidadela de Cascais
Telefone
214814300
Website
http://www.pousadas.pt
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