O novo Cayenne híbrido reclama o estatuto de modelo mais ecológico da gama Porsche. Para isso associa um motor eléctrico ao bloco de combustão interna V6, a gasolina, acumulando uma potência de 380cv. A solução ajuda o ambiente? Naturalmente que sim, mas os consumos ficam acima dos apregoados quando se tira todo o proveito do Sport Utility Vehicle (SUV) germânico.
A "pegada ecológica" de um Porsche é, indiscutivelmente, superior à da generalidade dos automóveis. Mas fica a par da de qualquer outro desportivo. Ainda assim, a marca alemã alinha pelas preocupações actuais do sector e procura melhorar o desempenho ambiental dos seus modelos sem comprometer os pergaminhos mecânicos. É nesse contexto que a nova geração do Cayenne consegue uma redução de consumos na ordem das duas casas decimais, com subida de potência.
A maioria dos proprietários deste todo-o-terreno de luxo não se preocupará com duas coisas: andar por maus caminhos e poupar nos consumos. A versão S Hybrid pode ajudar a mudar mentalidades nos dois campos. Mas já lá vamos. Antes, nota positiva para as linhas atraentes da segunda geração do SUV lançado em 2002. Apesar de mais comprido (4,8 cm) e da maior distância entre eixos (4 cm), o aspecto geral compacto aproxima-o da restante gama Porsche. A frente rebaixada, além de permitir pagar apenas classe 1 nas auto-estradas nacionais, vinca uma imagem elegante e ao mesmo tempo possante e desportiva.
O interior respira a costumeira qualidade de revestimentos e acabamentos, com espaço desafogado para os ocupantes da frente e posteriores. A visibilidade no óculo traseiro não é famosa, mas as manobras podem ser facilitadas com o recurso à câmara de marcha-atrás do sistema de ajuda ao estacionamento (opção que custa 1561 euros).
Outro opcional que se aconselha pelas melhorias dinâmicas que acrescenta ao bom desempenho do chassis, presente na unidade ensaiada, reside na suspensão pneumática e no sistema PASM (Porsche Active Suspension Management), apesar do preço de 3557 euros. A primeira varia, através de um selector na consola ou de forma automática, a distância ao solo em três níveis (15,8/21/26,8 cm), consoante o tipo de condução e piso. O PASM ajusta electronicamente a força de amortecimento, minimizando as oscilações de acordo com três tipos de programas (Conforto, Normal e Sport). Os dois sistemas permitem ainda tirar algum partido das capacidades da tracção integral permanente (repartida em 60 por cento no eixo traseiro e 40 à frente) fora de estrada, apesar da versão S Hybrid não dispor do modo "off-road", que substituiu as redutoras, para reduzir o peso em 180 quilos.
Em termos dinâmicos, o Cayenne apresenta uma direcção apurada para digerir os trajectos mais sinuosos. As oscilações da carroçaria são previsíveis e prontamente corrigidas pelo programa electrónico de estabilidade. O comportamento mecânico está ao mesmo nível. O Hybrid é precedido do S pelo facto de, embora equipado com um propulsor V6, exibir prestações ao nível de um bloco de oito cilindros. Isto porque o sistema de propulsão híbrida paralela (Parallel Full Hybrid) associa ao bloco de 3.0 litros, sobrealimentado, a gasolina, com 333cv, um motor eléctrico que debita uma potência extra de 47cv.
Os dois motores trabalham em conjunto, por exemplo no arranque, ou individualmente. A tecla E-Power permite a locomoção totalmente eléctrica, até uma velocidade de 60 km/h, mas a autonomia depende do estado de carga da bateria (e fica "indisponível" mais frequentemente do que se esperava). O motor de combustão, por seu lado, pode desligar-se até à velocidade de 156 km/h e funcionar no modo "velejar", aproveitando os recursos energéticos acumulados e limitando consumos e emissões. A suavidade da transmissão automática de oito velocidades, dotada do sistema Start/Stop, contribui para uma resposta pronta em qualquer regime, podendo-se retirar mais proveito através do modo sequencial, na alavanca ou nas patilhas no volante.
A lista de mordomias opcionais no domínio do conforto (o capítulo da segurança está bem dotado de série) é extensa. No caso da unidade ensaiada os extras somavam 29.923 euros aos 88.552 euros do preço base. Para quem pode e sem problemas de consciência.
Mais
Porsche Cayenne S Hybrid: Mais potente e de consciência um pouco aliviada