Ter automóvel significava ir para onde queria e visitar a família, em Aveiro, sem depender dos transportes públicos. "Foi uma felicidade." A primeira grande aventura aconteceu de Algés à Graça. Tinha respondido a um anúncio para um emprego de Verão e foi chamada para a selecção. Meteu-se no Polo e estreou-se a conduzir no centro de Lisboa, mas a coisa complicou-se na subida em frente à Sé. Nos trilhos dos eléctricos, o Polo foi abaixo algumas vezes. Cinco minutos de stresse que não atrasaram a viagem.
Entrou na entrevista tensa, mas saiu com o emprego. O primeiro teste serviu-lhe de lição e não há nada que a atrapalhe dentro ou fora da estrada. A jornalista da SIC é destemida e, se for preciso mudar um pneu, arregaça as mangas, pois então.
O Polo azul comportou-se bem durante cinco anos, mas nunca mais foi o mesmo depois de um toque. Trocou-o por outro Polo. Passou depois para o Golf e hoje conduz um BMW X1. Viu-o exposto no aeroporto, quando partia para o Brasil, em trabalho, e fixou-o na memória. No momento da troca, não hesitou. Procurou-o e comprou-o.
"Não sou muito ligada aos carros. Gosto de um carro que seja bom, de confiança e que não dê problemas", explica. Mas já teve percalços em viagem. A chegar a Andorra, a luz mais temida da viatura iluminouse e as indicações eram claras: parar e não andar nem mais um milímetro. A situação lá foi resolvida por telefone, mas não se livrou dos incómodos. "Precisava do carro e estava a mais de 1.200 quilómetros de casa."
É muito atenta na estrada e admite que o pé ficou menos pesado com o passar dos anos. Quando fecha as portas, concentra-se na condução e, por vezes, perde a paciência com o que observa à volta. "Há quem conduza e faça quinhentas outras coisas ao mesmo tempo: leia papéis, dê orçamentos ao telemóvel." Quando isso acontece reclama, mas com os vidros fechados.