Fugas - viagens

Nelson Garrido

Esqueça o que sabe sobre navios: este não tem defeitos

Por David Andrade

Maior, mais largo, mais pesado e mais alto. Mas também o melhor. A nova coqueluche da Royal Caribbean International está a revolucionar a indústria de cruzeiros a nível mundial e não pára de surpreender e bater recordes. Subimos a bordo do "Oasis of the Seas" e rendemo-nos às evidências: é difícil elencar aspectos negativos.

Fort Lauderlade, 20 de Março. "Um defeito? Alguém consegue apontar um defeito ao Oasis of the Seas?"

O trabalho de um jornalista torna-se sempre mais complicado quando, no fim de uma reportagem de uma semana, ninguém quer colaborar com uma perspectiva diferente. Uma, duas, cinco vezes a mesma pergunta. Vamos aos mais experientes: nenhuma resposta. Procuramos nos novatos: nenhuma resposta. Será que ninguém nos consegue apontar um defeito?

Fort Lauderlade, 13 de Março. Para 5998 passageiros vai começar a viagem no maior navio de cruzeiros do mundo, que terá paragens em três paradisíacas ilhas das Caraíbas - Ilhas Virgens Americanas, Saint Maarten/Saint Martin e Bahamas.

Mas, antes, regressemos ao passado. Em Agosto de 2009, em Turku, na Finlândia, a Royal Caribbean International (RCI) faz a apresentação à imprensa da nova jóia da coroa da maior empresa de cruzeiros a nível mundial. O Oasis ainda não está pronto e faltamlhe os últimos retoques. Há muito ferro à vista e cabos por todo o lado continuam por camuflar. No entanto, mesmo assim, arregalo os olhos com os números do navio. São 363 metros de comprimento, 53 de largura e 72 de altura distribuidos por 16 decks - o equivalente a um prédio de 20 andares. "Mas deve ser apenas isso", penso.  "Números." Sete meses mais tarde, vou deixar tudo em pratos limpos e confirmar o que nos foi prometido no estaleiro finlandês: garantiram o melhor; prometeram uma revolução. "Quando a esmola é muita, o santo desconfia." Especialista em encontrar defeitos em tudo e mestre na arte de criticar - "elogios" que me dirigem aqueles que me são mais próximos -, não encontrarei dificuldades em provar que talvez não seja bem assim. Porque, afinal, nada é perfeito.

Para mim, um cruzeiro sempre esteve no mesmo patamar de um resort: não é o meu tipo de férias. A própria palavra "cruzeiro", para mim, vinha sempre associada a dois nomes: Titanic e The Pacific Princess. Se o primeiro acabou em tragédia e nem tempo teve de mostrar do que era capaz, o segundo era o protagonista de uma das séries que fez parte da minha infância: O Barco do Amor. Por isso, um cruzeiro teria que ter como capitão Merrill Stubing, como barman Isaac Washington e como médico de serviço Adam Bricker. De resto, apesar da qualidade da série, tudo ali cheirava a rotina e, ao fim de umas horas, já toda a gente se conhecia.

Barco para todos

Foi com esse estereótipo que fui até Fort Lauderlade, 40 quilómetros a norte de Miami, onde o Oasis se preparava para bater um recorde mundial de passageiros. Apesar da frustração da RCI - estavam previstos 6056 pessoas, o que quebraria a desejada barreira das seis mil, mas 58 passageiros com reserva falharam o embarque -, nunca um cruzeiro iniciou uma viagem com tanta a gente a bordo. Será que o peso de 5998 passageiros faz alguma diferença num navio que, por si só, pesa 225 mil toneladas?

De volta ao presente, é sábado e pouco passa das 14h00. À chegada a Port Everglades, porto de abrigo do Oasis, eu e o navio voltámos a estar frente-a-frente e os mitos começam a desaparecer: este barco não é (só) para velhos. Muitas crianças, muitos jovens por todo o lado, numa excitação evidente e efusiva. Essa não é, contudo, exclusiva dos mais novos, porque à medida que os passageiros se vão aproximando dos terminais de embarque para realizar o check in, ninguém fica indiferente à imponência daquela que será a casa de quase seis mil passageiros ao longo dos próximos sete dias.

Entre eles está Diogo Neves, que lidera uma comitiva de 16 golfistas amadores, todos eles portugueses. Não se considera um "especialista em cruzeiros", mas já fez "uns três ou quatro", e, por isso vai dando dicas aos companheiros, quase todos "virgens" nestas andanças. Do Oasis espera "o melhor" e fica prometida uma conversa para mais tarde. É que, agora, não há tempo a perder: é hora de subir a bordo. "Com as burocracias dos norte-americanos e o rigor com que aplicam as medidas de segurança, a coisa promete ser demorada", penso. Mais um equívoco que se desfaz: em apenas vinte minutos está tudo tratado e já estou em plena Royal Promenade, o coração do Oasis no deck 5. Esse é apenas um dos sete "bairros" temáticos do Oasis, onde se concentra uma ampla variedade de lojas, restaurantes e bares. Os operários que, em Agosto, davam as últimas pinceladas de requinte nessa área são agora substituídos por turistas sedentos de descobrir tudo. No final, vão perceber que uma semana é insuficiente. (Será este um defeito do barco?)

A hora da partida estava marcada para as 17h00. A RCI não brinca com a pontualidade e, como um relógio suiço, o barco começa a mexer-se no segundo exacto. Mas só quem está de olhos no mar percebe que o maior navio cruzeiro do mundo iniciou a sua viagem. Dou um breve olhar pela janela virada para o mar e paro tudo. É tempo de sair da cabine, correr até ao deck 15 ou 16 e procurar um lugar para ver Fort Lauderlade ficar para trás. A partida repete-se todos os sábados desde Dezembro, mas continua a arrastar centenas de pessoas para o cais de Port Everglades. Tiramnos fotografias, dizem adeus aos sortudos que começam agora a viagem.

As minhas três primeiras horas no Oasis passaram num instante. E vai ser sempre assim.

Poucos minutos depois, Fort Lauderlade desaparece no horizonte e o Oasis fica rodeado apenas pelo azul do Atlântico.

Regresso à cabine porque há muita leitura para pôr em dia. É preciso descobrir tudo o que o Oasis nos oferece e, para isso, é obrigatório ler atentamente toda a informação fornecida. No navio, a toda a hora há o que fazer, mas, porque o rigor também se aplica a uma boa gestão dos interesses de cada passageiro, procuro na cabine a "bússola" que todos os dias aí é colocada pelo camareiro. Chama-se Cruise Compass, inclui oito páginas em português e em inglês, e diz-nos tudo o que precisamos de saber sobre o que se irá passar no barco. "Acabou de embarcar numa jornada como nenhuma outra, onde todas as convenções que conhece sobre cruzeiros ficaram para trás", lê-se nas primeiras linhas. "Promessas", acrescento eu.

Quando começo o reconhecimento do barco, bastame uma visita rápida para perceber que, afinal, o que nele impressiona não são apenas os números. O Central Park, por exemplo, é algo que dificilmente se consegue imaginar dentro de um navio. Bem no meio do Oasis (no deck 8), é um parque a céu aberto com cerca de 12.175 plantas de 93 espécies diferentes. É a zona mais recatada do barco e, para comprovar a sua autenticidade, até se podem encontrar por lá pequenos pássaros que escolheram como casa a folhagem de 56 árvores cujo porte pode crescer até sete metros de altura.

Na hora de jantar, a sala tem capacidade para acomodar 2968 pessoas. Volto a cruzar-me com Diogo e ele confirma as minhas recentes suspeitas: "Este cruzeiro não tem nada a ver com os outros. Já estive no Freedom of the Seas [o segundo maior barco da RCI], mas não se compara com o Oasis. Este é que é impressionante, pelo tamanho e por tudo o que há cá dentro!".

Na mesma altura, fico a conhecer Javier, o chefe de mesa, e James, o seu assistente. O primeiro é mexicano e, com simpatia, tenta arranhar umas palavras de português com sabor a Brasil. O segundo - grande, sorridente e com ar desajeitado - é dos Barbados. Juntos, vão tornar-se durante toda a semana cúmplices na minha estreia num dos sete pecados mortais: a gula. Para mim, comer era (quase sempre) apenas uma necessidade, mas, no Oasis passei a compreender quem pensa o contrário e defende que comer pode ser mesmo um prazer. A bordo, a hora do jantar passou a ser aguardada todas as noites com ansiedade e quebrei o velho hábito de não comer sobremesa.

Arca de Noé

O primeiro despertar no Oasis, já em alto mar, mostra um navio de muitas caras. Será assim todos os dias. Há os madrugadores que, após o pequeno-almoço, procuram um lugar ao sol - cada vez mais quente à medida que nos vamos aproximando das Caraíbas -, e há os que vão surgindo aos poucos, timidamente, após uma noite longa no casino - um dos espaços mais procurados do barco - ou nos bares, 48 no total, com estilos para todos os gostos.

Gilles e Jeanne são dois dos madrugadores. Vieram do Quebeque, falam apenas francês e, num navio onde quase 80 por cento dos passageiros são norteamericanos, acabam por ser corpos estranhos. "Mas isso não é problema", garante Gilles. "O barco está preparado para receber pessoas de todo o lado. Sejam chineses ou marroquinos, há informação em todas as linguas." Casados há quatro anos, decidiram fazer agora a lua-de-mel que vinha sendo sucessivamente adiada e, apesar do "medo horrível" que Jeanne tem do mar, decidiram arriscar por influência de amigos. "Garantiram-me que nem ia perceber que estava num barco, mas eu não quis arriscar e escolhi um quarto com vista para o Central Park", conta Jeanne. "Na verdade, duvidei dos meus amigos e só aceitei vir para fazer a vontade ao Gilles. Mas sabe, eu só me lembro que estou em mar alto quando vou lá para cima, ao deck 15 ou 16. E, mesmo lá, estou tranquila, porque o navio parece que não se mexe", diz, com um sorriso.

De facto, a excepcional estabilidade do Oasis faz com que muitos se esqueçam que estão num barco. No meu caso, a imagem de O Barco do Amor foi aos poucos sendo substituída por uma espécie de Arca de Noé em versão turística. É que no Oasis parece haver sempre um representante de cada uma das "espécies" de estabelecimento que qualquer turista exigente procura numas férias de sonho em terra firme. É como se entrássemos num universo paralelo, onde o que queremos está apenas à curta distância de uma viagem de elevador. No Oasis, os seis dias e meio da viagem passam num abrir e fechar de olhos, e levar uma vida sedentária é quase criminoso.

Há, no entanto, quem se dê ao luxo de gastar os preciosos minutos a bordo do navio apenas a desfrutar do sol. Um dos lugares mais tranquilos para isso é o Solarium, instalado na parte da frente do Oasis e foi lá que encontrei Jerry Forro. Filho de emigrantes húngaros que partiram para os Estados Unidos para fugir à I Guerra Mundial, Jerry é um expert em cruzeiros: o Oasis era o 17.º do seu curriculo e já conhece metade dos 22 navios da RCI. Ao seu lado estava Barbara, a mulher por quem se apaixonou aos 27 anos e que o fez abandonar a vocação de padre.

"Já atravessei o Atlântico, andei pelo Báltico, pelo Mediterrâneo, no Canal da Mancha e até já atraquei em Lisboa", conta com orgulho, revelando que ficou fascinado com a "fé dos portugueses" na visita a Fátima. Reformou-se depois de ter amealhado uma fortuna como construtor civil e agora passa agora o muito tempo livre que tem a viajar com a mulher. "País preferido? Para além dos Estados Unidos? Portugal", responde a sorrir, após uma troca de olhares cúmplices com Barbara. Depois, mais a sério, reconhece que "é impossivel escolher um". Sobre o Oasis não tem dúvidas e a primeira palavra que lhe vem à cabeça é "maravilhoso". "Já fiz quase todos, como lhe disse, mas este é sem dúvida o melhor e não consigo encontrar defeitos", afirma. "A variedade de escolha aqui é impresionante e não temos tempo para experimentar tudo. Até ao nível da comida é do melhor que tenho encontrado, mesmo comparando com os hotéis e restaurantes de topo que já conheci".

No que se refere aos outros 16 cruzeiros que o norte-americano já fez, o Oasis também fica a ganhar. "Apesar das mais de 8000 pessoas que vão aqui dentro, este parece ter menos gente em comparação com os outros", observa. "É fantástica a evolução da RCI e ver como eles aprenderam a agradar. Está tudo muito bem programado e distribuido." Jerry realçou ainda outro mérito da companhia: "O objectivo deles era que neste barco as famílias se sentissem bem e o facto é que o tratamento que dão às crianças é incrível. Juntam os miúdos todos na mesma área, que é monitorizada pelo staff do barco, e os pais não têm nenhuma preocupação, porque o problema da linguagem não se coloca e é mais seguro deixá-los ali do que nas escolas." (Está visto! Nem um "doutorado" em cruzeiros me ajudou na busca de um defeito.)

Com conversas destas, gastronomia irrepreensível e três saídas para as paragens previstas no cruzeiro (ver texto à parte), a semana acabou num instante. Enquanto espero pelo transfer para Miami, observo a porta de desembarque e só a muito custo, de longe a longe, vou reconhecendo uma cara conhecida. Esse também é um dos fascínios do Oasis: é sempre tudo novo, tudo diferente, todos os dias.

Fort Lauderlade, 20 de Março. O grupo de 16 golfistas portugueses volta a reunir-se comigo para um brainstorming, mas ninguém me ajuda. "Foi muito bom! Tudo impecável", insistem. A minha última esperança é o Nelson, o fotojornalista do PÚBLICO que me acompanhou na viagem. Peço-lhe que me aponte um defeito do Oasis. Ele deixa o teclado do computador, pensa um bocado e responde: "Também já pensei nisso, mas não consigo encontrar nenhum". Desisto. Nem com os da casa posso contar. Dou-me por vencido.

Ilhas Virgens, St. Maarten e Bahamas: As paragens do Oasis

A partir do início de Dezembro, com a chegada do Allure of the Seas, o irmão gémeo do Oasis, a Royal Caribbean International (RCI) passará a operar simultaneamente em duas rotas das Caraíbas. Enquanto o Allure não chega, o Oasis vai realizar temporadas de várias semanas consecutivas, sempre na mesma rota. O trajecto inicial escolhido pela RCI - no total serão 29 cruzeiros até Maio - foi o das Caraíbas Orientais, com paragens nos portos de Charlotte Amalie (ilha de St. Thomas), Philipsburg (em St. Maarten/St. Martin) e Nassau (nas Bahamas).

Das duas rotas defi nidas pela RCI para o Oasis e o Allure, a das Caraíbas Orientais é a única que já pode operar a 100 por cento. O segundo trajecto só se estreia em Maio, mas, porque a construção do porto de Falmouth (na Jamaica) só estará concluída em Dezembro, até lá a rota das Caraíbas Ocidentais substitui esse destino por uma paragem na Costa Maya, no México. Mantêm-se, contudo, as visitas a Cozumel, também no México, e a Labadee (no Haiti).

A rota que a Fugas foi descobrir é a que marcou a estreia do Oasis: Caraíbas Orientais. Depois de partir no sábado de Fort Lauderdale e após dois dias e meio em alto mar, às primeiras horas da manhã de terçafeira o Oasis chega a Charlotte Amalie, a capital de St. Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas. Pouco conhecido em Portugal, o arquipélago acabou por revelar-se uma surpresa muito agradável.

Descoberto por Cristóvão Colombo em 1493, é formado por três ilhas - St. Croix, St. Thomas e St. John - e cerca de 50 pequenos ilhéus. Foi comprado pelos Estados Unidos à Dinamarca em 1917, por pouco mais de 18 milhões de euros, e a aquisição conferiu aos naturais das Ilhas Virgens Americanas a nacionalidade norte-americana, mas com certas restrições. Estão autorizados a votar nas eleições dos partidos Democrata e Republicano, por exemplo, mas não podem exercer o seu direito de voto na eleição do presidente dos Estados Unidos.

Questões políticas à parte, os motivos de interesse no arquipélago são tantos que, nas cerca de 10 horas de que os passageiros do Oasis dispõem para descobrir as ilhas, o difícil é escolher o que fazer com tanta oferta. Uma das possibilidades é ir à aventura por conta própria, mas correndo o risco de fi car em terra se algo correr mal ou caso falhe a hora de embarque. Por isso, o recomendado é optar por uma das dezenas de excursões que podem reservar-se já dentro do barco a preços simpáticos.

Na ilha de St. Thomas, que será a de vegetação mais exuberante no arquipélago, a Fugas acabou por visitar duas praias: Magen's Bay, a mais famosa, e Sapphire Beach, um paraíso ainda pouco explorado pelos turistas.

No dia seguinte, o despertar é em St. Maarten/St. Martin, a mais pequena ilha do mundo a ser partilhada por dois países: um pequeno pedaço de terra com 87 km2 dividido há mais de 350 anos, de forma pacífica, pela França e Holanda.

Localizada sensivelmente a meio do canal de ilhas que formam as Caraíbas, no ponto onde as Antilhas parecem virar para Sul, St. Maarten/ St. Martin é um dos locais de férias preferidos pela classe alta francesa e muitos famosos de todo o mundo. Com uma temperatura média de 27 C no ar e 26 C na água, a ilha tem como umas das imagens de marca as aterragens no aeroporto Princesa Juliana, do lado francês, onde os aviões passam na pista a poucos metros da praia. É também no lado francês que se situa Orient Beach, a mais popular e concorrida praia da ilha, considerada uma das mais famosas das Caraíbas e muitas vezes comparada a Saint Tropez, no sul de França.

Sexta-feira, último dia do cruzeiro, é reservado para Nassau, a capital das Bahamas. Para além de ser a paragem mais curta do cruzeiro, já que a visita dura aproximadamente cinco horas, é a menos interessante. O ideal, por isso, é escolher um dos programas que o levem para uma das inúmeras ilhotas em redor de Nassau. Dessa forma, evita perder no trânsito caótico da capital a maior parte do pouco tempo que tem nas Bahamas. Outra possibilidade é trocar a excursão por compras a pé no centro da cidade, mesmo ao lado do cais onde o Oasis atraca, ou descobrir souvenirs e artesanato local na feira que se estende pelas ruas do porto.

O que podemos fazer no barco: bares, casino, botox. O difícil é arranjar tempo para tudo

Mais difícil do que encontrar um defeito no Oasis of the Seas é descrever tudo o que nos é oferecido no navio. Desde os espectáculos até às zonas de entretenimento e lazer ou às actividades desportivas, nada foi deixado ao acaso e tudo foi pensado para que a semana a bordo do Oasis seja do agrado dos mais exigentes. Complicado é organizar a nossa agenda de forma a tirarmos proveito de tanta oferta.

O conceito de "bairros" posto em prática no Oasis revelouse o segredo do sucesso do funcionalismo do navio. No Royal Promenade encontram-se alguns dos bares e lounges mais procurados pelos passageiros, como o Bolero's (de música latina), o On Air (de karaoke), o The Globe and Atlas Pub (com música ao vivo), o Champagne Bar (mais reservado) e o The Schooner Bar (com vista panorâmica para o Royal Promenade). É também aqui que, de 30 em 30 minutos, "aterra" o Rising Tide, o primeiro bar móvel em alto mar que se eleva verticalmente numa altura de três decks, entre a Royal Promenade e o Central Park.

Se aproveitarmos a boleia Rising Tide e sairmos no centro do Central Park, entramos noutra dimensão. Com o tamanho de um campo de futebol, o primeiro jardim fl utuante do mundo é a casa de mais de 12 mil plantas e 56 árvores. Dotado da mais sofi sticada tecnologia de controlo das condições ambientais - tem sempre uma suave aragem a correr -, o Central Park acaba por ser um dos locais mais tranquilos do Oasis e é perfeito para conversar ou ler um bom livro. Para uma refeição completa ou um snack mais ligeiro, também inclui três restaurantes - o Chops Grille, o 150 Central Park e o Giovanni's Table - e dois bares com esplanadas, o Park Café e o Vintages.

Bem diferente do Central Park é a Boardwalk, um "bairro" ao ar livre no deck 6, concebido para agradar a passageiros de todas as idades, em especial grupos familiares. À entrada deparamonos imediatamente com o primeiro carrossel construído no interior de um navio e, à medida que vamos caminhando, através de um corredor com seis lojas e cinco restaurantes e bares, começa a surgir à nossa frente o Aqua Theater, uma das principais inovações que a Royal Carabbean Internacional (RCI) apresenta no Oasis. Com um anfiteatro com capacidade para mais de 600 pessoas, recebe espectáculos de dia e de noite, e funciona também como cinema ao ar livre. É aqui que se pode assistir ao espectáculo Oasis of Dreams, cujo elenco, composto por seis mergulhadores, quatro atletas de natação sincronizada e seis acrobatas, protagoniza uma combinação soberba de ginástica, interpretação, saltos para a água, luz e música.

O "bairro" mais concorrido à noite é o Entertainment Place. Situado no deck 4, é nele que se encontram os bares preferidos pelos noctívagos (Blaze, Dazzles e Jazz on 4), a sala Comedy Live (para espectáculos de stand-up comedy) e o Opal Theater. Com capacidade para 1380 pessoas, este teatro é palco de comédias e espectáculos musicais ao bom estilo da Broadway. No Entertainment Place podemos ainda encontrar o Studio B, uma das mais populares atracções do Oasis, que funciona como palco de jogos como o Quest for Adults e como pista de gelo para os passageiros ou para o espectáculo Frozen in Time, dedicado a Hans Christian Andersen. Depois, claro, há o Casino Royale, o maior e mais sofisticado casino num cruzeiro, elegante e com glamour q. b.. Com 450 slot machines, mesas de blackjack, roleta, dados e poker, um bar e uma área lounge, o Casino Royale é dos locais mais procurados no Oasis e enche-se todas as noites. Jogos de azar para muitos, uma mina de ouro para a RCI.

Para os mais jovens e aventureiros, o Oasis preparou alguns recintos para actividades desportivas. Além de um ringue onde é possível jogar basquetebol e futebol, o navio conta com uma parede de escalada e ainda tem espaço para os FlowRiders, duas piscinas de ondas para praticar surf e bodyboard, e o Zip Line, onde os mais radicais podem fazer um slide de 25 metros no deck 16. A oferta disponível inclui ainda um ginásio ao nível dos melhores que encontramos em Portugal, uma pista de atletismo com quase 700 metros, 17 jacuzzis e o Vitality at Sea Spa and Fitness Center, onde pode receber todo o tipo de tratamentos, desde massagens a acupunctura e implantes de botox.

Os segredos da cozinha: Comidas e bebidas nas mãos de um português

As opções de restauração no Oasis of the Seas são tantas e variadas que se pode experimentar, literalmente, em cada refeição, um local diferente - três vezes por dia, durante toda a semana - sem nunca repetir o mesmo estabelecimento. E, também aqui, a Royal Caribbean Internacional (RCI) não facilitou. Qualquer que seja a sua escolha, há 24 restaurantes a bordo, tem uma garantia: também na parte gastronómica é difícil encontrar defeitos. A não ser, claro, a possibilidade de acabar a semana com uns quilinhos a mais.

A comida é, sem dúvida, um dos factores decisivos para avaliar a qualidade de um cruzeiro, visto que, uma vez a bordo, não há a possibilidade de escapar ao que lhe é oferecido no navio. Ciente disso, a RCI dotou o Oasis de um vasto leque de escolhas, para todos os gostos, e o principal responsável em garantir que tudo o que se come e bebe a bordo mantém uma qualidade irrepreensível é português.

João Mendonça trabalha na RCI desde 1987, é o director de Food & Beverage (comidas e bebidas) do Oasis e tem sob a sua alçada 52 por cento da tripulação, que é composta por 2165 elementos. Depois de trabalhar em alguns dos mais importantes navios da RCI, tem o "orgulho" de estar no Oasis, onde " a logística é completamente diferente dos outros das classes inferiores. A todos os níveis". "Em relação ao Independance [o segundo maior barco da RCI], as quantidades de comida e bebida subiram 35 a 40 por cento", começa por revelar. A grandeza do navio, com 24 restaurantes e 42 bares e "todo o trabalho administrativo", tornam complicado que esteja em "todo o lado". Por isso, reconhece que para que tudo corra bem conta "muito com o chefe de cozinha, o gerente de restauração e o gerente de bar".

As maiores "dores de cabeça" no dia-a-dia a bordo do Oasis "são tentar manter sempre um nível elevado no serviço e a qualidade da comida". No entanto, o esforço acaba por ser recompensado: "Eu falo com passageiros todos os dias e o feedback é sempre muito positivo e os nossos ratings provam isso mesmo. Os passageiros fi cam maravilhados, porque não esperavam uma coisa tão bem feita e uma organização tão bem delineada." A diferença entre o Oasis e os cruzeiros tradicionais está, segundo João Mendonça, na "variedade de oferta". "Temos três ou quatro lugares onde podem tomar o pequeno-almoço, podem almoçar em quatro, cinco, seis restaurantes e ao jantar está tudo aberto. Isto dá mais liberdade e é mais relaxante para os passageiros, que têm espectáculos a todas as horas e podem programar melhor os seus horários", afirma.

Para tentar descobrir o segredo por detrás da qualidade da comida servida diariamente no Opus (o restaurante principal com 2968 lugares), fomos conhecer Johan Petutschning, o chefe de cozinha. Com 38 anos, este austríaco trabalhou para o Rei da Noruega e foi considerado, por duas vezes, o "melhor cozinheiro de peixe da Noruega". Simpático e brincalhão, Johan, que considera serem necessárias "duas semanas para conhecer todos os restaurantes", abriu as portas da galley (a cozinha do navio) à Fugas e foi lá que assistimos ao ritual diário que está na base do sucesso gastronómico do Oasis: todos os dias, às 16h30, os pratos que vão ser servidos ao jantar no Opus são provados por Johan e a sua equipa para que, mais tarde, nada falhe. E não falha.

Números

42 bares
24 restaurantes
25.000 pratos servidos por dia no Opus
125.000 ovos por semana
50.000kg de gelo por dia
10.000kg de camarão por semana
9000kg de batatas por semana
8000kg de peitos de frango por semana
7000kg de lagosta por semana
57 variedades de pão

Preços e reservas: Quanto custa e algumas dicas

Luxo, qualidade de serviço, excesso de conteúdos no interior e o bónus de três escalas nas Caraíbas. Mas a que preço? Com tudo o que nos é oferecido pela Royal Caribbean International (RCI) no Oasis of the Seas, o preço final de uma semana a bordo do navio acaba por ser uma agradável surpresa, mesmo tendo em conta que pelo meio é necessário incluir o custo de uma longa viagem até Miami.

Ao contrário da velha tradição no mundo dos cruzeiros, o Oasis é um navio que se vende pelo que nos é oferecido no seu interior. O hábito de transportar pessoas de um porto para o outro, transformando os barcos em meros dormitórios, deixou de fazer sentido com a chegada do Oasis. Dessa forma, com a filosofia de "um barco como destino", aumentando os dias de navegação e reduzindo os portos de escala, a oferta a bordo subiu exponencialmente. Os preços nem por isso.

Com 37 categorias de alojamento, o preço de uma semana a bordo do Oasis (voo para Miami não incluído) varia entre os 700 (cabine interior) e os 10.000 euros (suítes padrão loft, de dois andares). Apesar da discrepância de preços, as opções de alojamento mais aconselhadas são as cabines exteriores com varanda, com custos a partir dos 900 euros.

Apesar de a bordo do Oasis os passageiros estarem abrangidos pelo regime de tudo incluído, há algumas excepções. É possível passar uma semana inteira no Oasis sem gastar um euro a mais, mas alguns serviços e restaurantes são pagos. Bebidas alcoólicas e refrigerantes também têm um custo adicional. Os pequenos-almoços, almoços e lanches são gratuitos em diversos restaurantes e cafés, enquanto o jantar só está incluído no restaurante principal (o Opus), no buff et Windjammer e na pizzaria Sorrento's. Nos outros restaurantes - desde o italiano Giovanni's Table ao saudável Solarium Bistro - é preciso reservar mesa e pagar à parte. Os preços não são, no entanto, excessivos. A título de exemplo, uma refeição no japonês Izumi custa em média menos de oito euros.

Para além da parte de restauração, existem mais alguns extras que são pagos, como todos os serviços prestados no Vitality at Sea Spa and Fitness Center, a Internet e as excursões nas três escalas efectuadas. O ginásio - excluindo algumas aulas - e os desportos radicais a bordo são gratuitos. Embora não implique qualquer custo adicional, para assistir aos vários espectáculos é necessário realizar uma reserva e o mais prudente é realizar a marcação do seu lugar antes do início da viagem - através da internet ou agência de viagens - ou no dia de embarque. Da mesma forma, é aconselhável programar as excursões nas três paragens o mais rapidamente possível e, para isso, existem balcões na Royal Promenade onde terá toda a informação e ajuda que precisa. Apesar de o Oasis realizar escalas em "zonas francas", os preços nas lojas dentro do navio (sejam de cosmética, relojoaria ou artigos electrónicos) são mais atractivos, sendo que, todos os dias, há produtos a preços de saldo.

A Fugas viajou a convite da Royal Caribbean International

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