Fort Lauderlade, 20 de Março. "Um defeito? Alguém consegue apontar um defeito ao Oasis of the Seas?"
O trabalho de um jornalista torna-se sempre mais complicado quando, no fim de uma reportagem de uma semana, ninguém quer colaborar com uma perspectiva diferente. Uma, duas, cinco vezes a mesma pergunta. Vamos aos mais experientes: nenhuma resposta. Procuramos nos novatos: nenhuma resposta. Será que ninguém nos consegue apontar um defeito?
Fort Lauderlade, 13 de Março. Para 5998 passageiros vai começar a viagem no maior navio de cruzeiros do mundo, que terá paragens em três paradisíacas ilhas das Caraíbas - Ilhas Virgens Americanas, Saint Maarten/Saint Martin e Bahamas.
Mas, antes, regressemos ao passado. Em Agosto de 2009, em Turku, na Finlândia, a Royal Caribbean International (RCI) faz a apresentação à imprensa da nova jóia da coroa da maior empresa de cruzeiros a nível mundial. O Oasis ainda não está pronto e faltamlhe os últimos retoques. Há muito ferro à vista e cabos por todo o lado continuam por camuflar. No entanto, mesmo assim, arregalo os olhos com os números do navio. São 363 metros de comprimento, 53 de largura e 72 de altura distribuidos por 16 decks - o equivalente a um prédio de 20 andares. "Mas deve ser apenas isso", penso. "Números." Sete meses mais tarde, vou deixar tudo em pratos limpos e confirmar o que nos foi prometido no estaleiro finlandês: garantiram o melhor; prometeram uma revolução. "Quando a esmola é muita, o santo desconfia." Especialista em encontrar defeitos em tudo e mestre na arte de criticar - "elogios" que me dirigem aqueles que me são mais próximos -, não encontrarei dificuldades em provar que talvez não seja bem assim. Porque, afinal, nada é perfeito.
Para mim, um cruzeiro sempre esteve no mesmo patamar de um resort: não é o meu tipo de férias. A própria palavra "cruzeiro", para mim, vinha sempre associada a dois nomes: Titanic e The Pacific Princess. Se o primeiro acabou em tragédia e nem tempo teve de mostrar do que era capaz, o segundo era o protagonista de uma das séries que fez parte da minha infância: O Barco do Amor. Por isso, um cruzeiro teria que ter como capitão Merrill Stubing, como barman Isaac Washington e como médico de serviço Adam Bricker. De resto, apesar da qualidade da série, tudo ali cheirava a rotina e, ao fim de umas horas, já toda a gente se conhecia.
Barco para todos
Foi com esse estereótipo que fui até Fort Lauderlade, 40 quilómetros a norte de Miami, onde o Oasis se preparava para bater um recorde mundial de passageiros. Apesar da frustração da RCI - estavam previstos 6056 pessoas, o que quebraria a desejada barreira das seis mil, mas 58 passageiros com reserva falharam o embarque -, nunca um cruzeiro iniciou uma viagem com tanta a gente a bordo. Será que o peso de 5998 passageiros faz alguma diferença num navio que, por si só, pesa 225 mil toneladas?
De volta ao presente, é sábado e pouco passa das 14h00. À chegada a Port Everglades, porto de abrigo do Oasis, eu e o navio voltámos a estar frente-a-frente e os mitos começam a desaparecer: este barco não é (só) para velhos. Muitas crianças, muitos jovens por todo o lado, numa excitação evidente e efusiva. Essa não é, contudo, exclusiva dos mais novos, porque à medida que os passageiros se vão aproximando dos terminais de embarque para realizar o check in, ninguém fica indiferente à imponência daquela que será a casa de quase seis mil passageiros ao longo dos próximos sete dias.