A acção, realista q.b., retrata fielmente a violência do combate. Contudo, o facto não o torna necessariamente desaconselhado a crianças, uma vez que, antes de entrar no auditório, a pequenada já sabe o que a espera (sendo, no entanto, necessário acautelar os mais novos para o som, que coloca a audiência no centro da acção).
Enquanto no ecrã se repõem os acontecimentos, a plataforma vai revelando mapas, estratégias militares de ambas as facções e outros detalhes, complementando o filme. E, quando termina, a missão foi cumprida: já não se passará pelo terceiro núcleo, o mais museológico, sem lhe prestar redobrada atenção.
Neste terceiro espaço, a história conta-se através das palavras dos cronistas da época, como Fernão Lopes ou Pero López de Ayala, que podem ser lidas mais uma vez recorrendo a ecrãs tácteis, ou pelo testemunho de artefactos, como as várias armas usadas por ambos os contingentes. Há um bónus perto da saída: um elmo, uma espada ou uma facha - a que se vê no filme a ser usada por D. João I na luta contra um cavaleiro castelhano, D. Álvaro Gonçalves de Sandoval, da qual o monarca luso viria a ser salvo por D. Martim Gonçalves de Macedo -, reproduzidos no seu peso original e, para contentamento de miúdos (e graúdos...), disponíveis a ser manuseados e, no caso do elmo, até vestidos de forma a sentir o peso que tanto dificultara a luta armada. Ainda em exposição, vários fragmentos de ossos humanos, descobertos no local da batalha, cujo estudo permitiu identificar parte da história daqueles cavaleiros, ao jeito da série televisiva Ossos (onde uma antropóloga forense desvenda crimes a partir da análise de ossadas): um ecrã explica tudo o que o pequeno fragmento documenta, desde a idade da vítima até à causa da sua morte, não esquecendo a arma que lhe terá sido letal.
Pelos campos da batalha
Uma incursão ao CIBA não acaba com o fim da visita aos seus núcleos expositivos. Depois de se compreenderem o contexto histórico, a linha dos acontecimentos que precipitaram a batalha e a forma como ela decorreu, é tempo de reviver os acontecimentos in loco, isto é, de pisar o terreno que foi palco do decisivo confronto. E até de tentarmos imaginar-nos rodeados por cavaleiros de outros tempos.
É esse o efeito de toda a envolvente do centro, após o paisagismo, estudado por Luísa Borralho, ter procurado uma aproximação com a imagem que o planalto de São Jorge apresentaria há mais de seis séculos. O certo é que se fica com a ideia de que se o Condestável visitasse hoje o local ainda reconheceria uma ou outra fossa que ordenou abrir.
Para criar esta ligação da natureza ao passado foram repostas as espécies vegetais da época da batalha, com base nos resultados de análises polínicas, nos dados fornecidos pela botânica e nas descrições dos cronistas, que destacam as urzes existentes neste campo, salpicado ainda por salgueiros, amieiros e, com maior preponderância, carvalhos.
Com o campo de batalha cortado a meio, impõe-se um passeio, que pode ser acompanhado por áudio-guias e complementado por espreitadelas a cronotelescópios (uma espécie de telescópios do tempo), através dos quais se consegue imaginar um exército medieval mesmo ali à nossa frente.