Fugas - viagens

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Quando for grande quero ser astronauta

Por Carla B. Ribeiro

Porque voam os helicópteros se não têm asas? E porque não voam as galinhas se as têm? E o que nasceu primeiro: o ovo ou o pássaro? Podem parecer questões irrelevantes para a formação de um astronauta mas, no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, descobrimos, ao lado da pequenada, como as respostas podem ser essenciais para futuros homens e mulheres do espaço.

"Mãe, queeeeero ir ao espaço!" Assim. Tão naturalmente como quem pede um gelado de três sabores ou exige mais uma volta num colorido carrossel. O pedido, a soar a exigência e gritado bem alto, atravessando todo o auditório, marcou o fim daquela que foi a primeira sessão de uma viagem de facto muito espacial no Pavilhão do Conhecimento, Parque das Nações, Lisboa: Pai, Vou ao Espaço e Já Volto! é uma iniciativa originária da Fábrica Ciência Viva de Aveiro e passa a ter lugar, uma vez por mês, no auditório do pavilhão lisboeta (em Aveiro, prepara-se já a terceira sessão - ver calendário no fim do artigo). As cinco sessões que se seguem no Parque das Nações surgem, no site do pavilhão, já todas esgotadas, "mas, havendo sempre desistências à última hora, é muito provável que abram vagas mais perto das datas", garantem-nos.

A próxima acontece a 18 de Março e convida a pequenada a descobrir como é A Conquista do Espaço (com direito a vestirem-se de astronautas e tudo; "mas com um fato mais levezinho do que o dos verdadeiros homens do espaço", que pesam - olhos arregalados pelas filas que invadiram o palco - mais de cem quilos!). Segue-se, a 22 de Abril, A Conquista da Lua, durante a qual Neil Armstrong promete tornar-se um dos heróis da assistência; a 13 de Maio, Viagens ao Planeta Vermelho; a 17 de Junho, Os Rodinhas do Espaço; e, a 15 de Julho, A Vida na Terra.

A abrir, uma sessão dedicada aos primórdios da aviação que, mais tarde, levaria o homem a desejar voar ainda mais alto: para fora da atmosfera terrestre. Mas, nesta viagem repartida em seis episódios, a entrada não se faz apenas com bilhete válido. Antes, é preciso tratar do passaporte.

São 15h30 e a tarde lá fora está soalheira, convidando a passeios à beira-rio. Mas, para mais de vinte miúdos, a atracção pelo sol é outra: "É grande", diz um; "é uma estrela", atira outro, mostrando que esta assistência chega já com informação na bagagem. À porta do auditório do Pavilhão do Conhecimento, uma fila, de pais e filhos, avós e netos, vai-se formando. Cada qual espera a sua vez para ser atendido à beira de uma mesinha que funciona como um balcão de check-in. Primeiro é preciso confirmar as identidades dos astronautas do futuro. Depois, entregam-se passaportes: cabe aos pequenos preencher o nome e marcar o pequeno quadradinho do lado superior esquerdo com a impressão digital. É que este documento espacial é pessoal e intransmissível!

Primeiro carimbo recolhido, a passagem abre-se. Mas fica o alerta: "Tragam sempre o passaporte! Para coleccionar carimbos - ao fim de cinco ganham um presente! Uma refeição espacial gratuita!". Descanse-se já quem faltou à sessão introdutória: ficará sem saber quem foi o primeiro homem a tentar voar, mas os cinco carimbos que valem a tal refeição do espaço ainda podem ser angariados nas cinco sessões que se seguem. E como será essa tal comida de astronauta? "Sequinha, sequinha; sem ponta de água (...) mas muito saborosa", afiança José Matos a uma audiência de duas dezenas de garotos, entre os seis e os dez anos, sentados em pequenos bancos estrategicamente posicionados em cima do palco e virados para um ecrã gigante. O astrónomo de Aveiro vai mais longe. Promete "um gelado", deixando o grupo de água na boca. Só há um problema: "Este gelado não é gelado e é muito seco" - assim como os cereais do pequeno-almoço.

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