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O jazz do Hot Clube regressa à Alegria

Por Público

Dois anos depois de ter sido destruído num incêndio, o novo Hot Clube de Portugal, que se orgulha de ser um dos mais antigos clubes de jazz do mundo, é inaugurado esta quarta-feira. De volta à Praça da Alegria, em Lisboa, mas algumas portas abaixo da sua localização original, o Hot Clube de Portugal está de regresso com três dias de espectáculos gratuitos.
Apesar de as obras ainda não estarem totalmente terminadas e faltar também uma parte da mobília, o antigo clube de jazz da Praça da Alegria, que em 2008 comemorou 60 anos de existência, está pronto para voltar à sua rotina habitual, com uma actuação, às 22h, do grupo original do Hot Clube, composto por Justiniano Canelhas, Bernardo Moreira e Manuel Jorge Veloso, e que vai contar com a presença de alguns convidados.

Logo depois sobe ao palco o septeto Hot Clube de Portugal, do qual fazem parte os músicos Bruno Santos, João Moreira, Pedro Moreira, Luís Cunha, Rodrigo Gonçalves, Bernardo Moreira e André Sousa Machado.

Na quinta-feira, a celebração continua com um concerto a cargo da Big Band, dirigida pelo trombonista Luís Cunha, que apresentará na primeira parte um reportório de Duke Ellington, enquanto a segunda parte é dedicada aos compositores portugueses.

Os três dias de festa encerram na sexta-feira com um concerto dos alunos do Hot Clube de Portugal - desde os anos 1980 que este clube tem também a funcionar uma escola de música de jazz, actualmente situada em Alcântara.

O Hot Clube de Portugal, que foi considerado pela revista norte-americana Downbeat como um dos cem melhores clubes de jazz do mundo, tem agora morada fixa nos números 47 a 49 da Praça da Alegria, num espaço cedido pela Câmara Municipal de Lisboa. Para os que conheceram a cave do antigo clube, que ficou destruída no incêndio de Dezembro de 2009, as comparações serão escusadas, uma vez que o novo clube, que é ligeiramente maior, não foi remodelado à imagem do anterior. O clube de jazz tem agora uma sede maior, com camarins, sistema de som renovado e um novo piano. "Desta vez, é um espaço feito para isto, enquanto o que tínhamos não era", disse recentemente ao PÚBLICO Inês Cunha, presidente do conselho directivo do Hot Clube de Portugal. As instalações incluem ainda um jardim arborizado, para o qual já começam a ser pensados alguns espectáculos ao ar livre.

O edifício, onde outrora funcionava a casa do jazz, foi demolido no ano passado, restando apenas a sua fachada.

"O que é importante é que as pessoas voltem a sentir que o espaço é delas e que o Hot Clube está vivo", disse Inês Cunha à Lusa, explicando que, apesar de diferente, "o que faz o espaço são as pessoas".

Depois desta festa de reabertura, o clube irá iniciar, a partir de Janeiro, uma programação regular, que ainda está a ser definida. 

Fundado em 1948, o Hot Clube de Portugal acolheu grandes nomes do jazz, como Count Basie, Dexter Gordon, Trummy Young, os músicos da orquestra de Quincy Jones, Herb Heller, Pat Metheny ou Sarah Vaughn. E foi o palco privilegiado para muitos nomes do panorama português, de Mário Laginha a Carlos Barreto, de Zé Eduardo a Barros Veloso, de Maria João a Maria Viana.
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