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Szabo/Reuters

Companhia de bandeira húngara cessa operações após 66 anos de voos

Por Fugas

A Malév anunciou hoje o fim imediato das suas operações aéreas. A companhia de bandeira húngara, em actividade ininterrupta desde 1946, tomou a decisão após um longo período de dificuldades e problemas e depois de dois dos seus aviões ficarem retidos em Israel e Irlanda por falta de pagamento. Em terra, ficam cerca de 7200 passageiros.

"A situação da Malév tornou-se insustentável", refere a companhia em comunicado. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, considerou a situação "dolorosa". "Tentámos manter a Malév operacional durante o maior período de tempo possível, mas não poderíamos continuar a fazê-lo já que poderíamos perder os nossos aparelhos retidos no estrangeiro. Tivemos que parar", disse Orban à rádio húngara Kossuth. 

A Malév, que teria hoje 64 voos planeados - com cerca de 7200 passageiros -, representa 40% do tráfego do aeroporto de Budapeste e detém 22 aviões. Várias tentativas de privatização da companhia sairam goradas e, em 2010, o Estado assumiu 95% da posse da empresa, que emprega cerca de 2600 pessoas. 

O Governo húngaro tinha colocado a Malév sob um estatuto especial de protecção e, ainda esta semana, um representante governamental fora designado para supervisionar a companhia. Mas, segundo a Reuters, a Malév confirmou que os fornecedores tinham perdido a confiança na empresa e começado a exigir o pagamento adiantado pelos seus serviços.

A Hungria estava impossibilitada de injectar mais dinheiro público na Malév após uma decisão da União Europeia nesse sentido. A Comissão Europeia decidiu, no mês passado, que a companhia seria obrigada devolver o dinheiro recebido em forma de financiamento "indevido" do Estado entre 2007 e 2010 - cerca de 126 milhões de euros, segundo a AFP. A empresa, com uma dívida superior a 200 milhões de euros, teve vários episódios falhados de privatização tendo, em 2010, sido readquirida em 95% pelo Estado húngaro.

Diversas companhias já avançaram com tarifas especiais para os passageiros da Malév espalhados por diversos aeroportos. Nomeadamente, uma das companhias de voos de baixo custo que mais terá a lucrar com o fim da Malév, a Wizz Air, com sede em Budapeste e uma vasta rede, particularmente forte na Europa central: só da capital húngara, oferece cerca de três dezenas de ligações.  A Ryanair também se prepara para regressar em força à Hungria (com cinco novas rotas a partir da Primavera) e a easyJet também aposta em Budapeste com oito ligações.

No aeroporto de Budapeste, operam cerca de três dezenas de companhias aéreas internacionais, incluindo a TAP. 

Malev

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