O novo Airbus A350 descolou esta sexta-feira às 8h00 GMT (10h locais) do aeroporto de Toulouse-Blagnac (sudoeste da França) naquele que é o seu primeiro voo de teste, dando asas ao projecto da empresa europeia para competir com a americana Boeing no lucrativo mercado de longo curso.
O novo jacto da Airbus levantou da pista Concorde do aeroporto em direcção a noroeste, debaixo de um céu parcialmente nublado e sob o olhar de mais de 10 mil funcionários da Airbus, que saíram das fábricas para ver o seu novo objecto de orgulho, além de centenas de cidadãos de Toulouse e funcionários do aeroporto.
O mais novo avião da Europa completou com sucesso o seu primeiro voo. Construído com materiais 50% mais leves do que os compostos de metal, como o 787 Dreamliner,o A350 voou durante quatro horas sobre o sudoeste da França e Atlântico, antes de retornar a Toulouse, onde aterrou às 14h05 locais. Foram oito anos a desenvolver o projecto, que já terá custado mais de 11 mil milhões de euros.
O voo foi operado por seis membros do departamento de voos de teste da Airbus, foi manobrado por dois pilotos, um britânico e um francês, e assistido por engenheiros que procederam a vários testes durante o voo."O avião está a comportar-se muito bem", disse um dos pilotos, o britânicoPeter Chandler, falando pelo rádio a uma altitude de 13.000 pés. "É umgrande dia para a Airbus. Um voo inaugural não acontece com frequência.Não é como a indústria automobilística, onde se lança um novo modelo a cada dois anos ou até menos", disse Tom Enders, presidente da EADS, responsável pelo fabrico dos aparelhos da Airbus.
Este é o pontapé inicial de uma campanha de ensaios previstos até final de 2014 do primeiro A350-900, o coração de uma gama de aparelhos com 270 a 350 lugares que se destinam a voar até 15 mil quilómetros sem escalas.
As apostas são altas num jogo contra os Boeing 777 e 787, que dominam o mercado de longa distância, onde também compete o A330 que, apesar de tudo, consegue manter uma boa figura vinte anos após ter sido lançado. Será este aparelho que, gradualmente, deverá ser substituído pelo A350.
O sucesso do programa A350 "vai garantir o futuro da indústria por 20 anos", disse o CEO da Airbus, Fabrice Bregier, pouco antes do primeiro voo.
A Airbus acredita que o mercado de longa distância pode ultrapassar os 5000 aparelhos em 20 anos e tanto Brégier como o director comercial, John Leahy, afirmaram a sua vontade de tentar assegurar metade dessas vendas.
As vendas devem exceder em muito a dos grandes aviões, como o gigante A380, que responde por apenas 262 pedidos e 103 entregas cinco anos e meio após o seu lançamento.
Se a procura dos aparelhos de médio curso, com menos de 200 lugares como o do A320 que é neste momento o maior concorrente da construtora europeia face à Boeing, continuar três vezes superior à dos de longo curso, o preço destes últimos é três vezes mais alto: cerca 300 milhões de dólares (cerca de 225 milhões de euros) para cada um dos novos modelos.