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Fernando Veludo/NFACTOS

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Nova vida da «Flor do Gás» resgata memórias da travessia do Douro

A Menino do Douro quer fazer desta travessia fluvial uma renovada aposta para os portuenses e atrair cada vez mais turistas. E para isso não basta manter os preços actuais (um euro para cada lado; quem quiser levar bicicleta paga mais um euro).

"Queremos desenvolver o Cais do Ouro juntamente com as entidades competentes que o regem, a APDL [Administração dos Portos do Douro e Leixões]", desvendou José Cardoso, que admite ser muito difícil manter um negócio com tão pouca procura.

A limpeza do espaço, onde "havia ratazanas e muito lixo", já foi iniciada, mas há ainda muito por fazer. Por exemplo, é preciso que se "remova de uma vez o bar" flutuante Zoo, situado a poucos metros do Cais do Ouro, que se afundou em Março deste ano.

Depois das limpezas feitas, José Cardoso garante que a ideia é levar o projecto mais além e transformar o Ouro num "cais comercial". "Queremos que seja apetecível para o turismo e para as pessoas que passam aqui." Com uma infra-estrutura coberta, ficará acautelada a possibilidade de a Flor do Gás ser um transporte viável para mais pessoas, com ligação directa aos autocarros.

Apesar das burocracias constantes em que têm esbarrado, os proprietários acreditam que estes projectos poderão estar concluídos no Verão de 2014 e pensam até na abertura de um café-esplanada no cais do Ouro, apesar de não ser essa a prioridade.

Ainda não é meio-dia quando Manuel Ferreira, colete azul com o símbolo do Porto ao peito, se prepara para a viagem de regresso à Afurada, depois de mais uma manhã a "ajeitar redes em Matosinhos" e "sem tirar nada do mar". Por que se mantém fiel à Flor do Gás? "Primeiro, isto compensa; à volta, demoro muito", conta o pescador, de 64 anos de idade, 50 de mar. Depois? "Dantes via-se muita gente aqui, agora a vida está difícil. Mas é preciso defender o que é nosso; eu continuo e não admito que ninguém diga mal do que é da minha cidade."

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