Enquanto aguardava o rebocador, o "Funchal esteve calmamente a navegar ao longo da costa do Algarve. Os passageiros jantaram e usufruíram confortavelmente do cruzeiro, nomeadamente do jantar de Gala de despedida, seguido do espectáculo".
É o resumo, feito pela empresa detentora do navio, a Portuscale Cruises, deste percalço de fim-de-semana de mau tempo na costa portuguesa: segundo os responsáveis, para "conforto dos passageiros", optou-se, no sábado, em lugar de terminar a viagem em Lisboa, por "atracar e desembarcar em Portimão, protegendo assim os seus clientes de navegar no estado do mar em que este se encontra" até à capital, onde o navio chegou segunda de manhã.
Mas o cruzeiro de fim-de-ano do "Funchal" - que incluiu Marrocos e passagem pela capital madeirense para ver os fogos-de-artifício, o primeiro regresso à cidade que lhe dá nome após o restauro e reactivação do navio -, não teve "sorte" no Algarve, onde chegou no sábado: teve que esperar um rebocador (não havendo nenhum disponível na região nem em Sines) que viria de Setúbal. As vagas de sete metros de altura obrigaram o rebocador sadino a esperar por domingo para realizar a viagem que, de Setúbal, demora mais de 12h até Portimão.
O rebocador chegaria ao final da tarde de domingo e, durante o tempo de espera, sublinha a Portuscale, o paquete e "seus passageiros estiveram sempre em total segurança", navegando ao largo entre Alvor e Albufeira para evitar a forte ondulação na costa. À espera dos passageiros, estavam sete autocarros: seis seguiram para Lisboa e um directo ao Porto.
A necessidade de um rebocador para aportar em Portimão deve-se ao facto de os navios de grande dimensão estarem impedidos de aceder ao porto por falta de desassoreamento dos canais de navegação. Torna-se necessário um rebocador para apoiar as manobras. O ministro da Economia, Pires de Lima, anunciou em Agosto, numa visita à cidade, um investimento de dez milhões de euros na modernização do porto.
O sindicato OficiaisMar, organização sindical que congrega oficiais de Marinha Mercante, já apelou ao Governo para que a região do Algarve ganhe um rebocador para uma maior segurança marítima, adiantou a Lusa. "A costa algarvia deveria ter sempre baseado em Portimão um rebocador para que estas situações sejam completamente ultrapassadas", defendeu Sousa Coutinho, do OficiaisMar.
O "Funchal", com uma história de 52 anos, muito tempo parado e várias ameaças de desmantelamento, foi recuperado e relançado em 2013.