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Paulo Pimenta

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Ervas que nos dão prémios (e muito prazer)

Quanto à erva que o júri considerou como a melhor do mundo, o jovem agricultor explica que o apuramento das qualidades das plantas é o resultado de um trabalho de investigação que vem sendo feito no Cantinho das Aromáticas. Deu lugar não só aos lotes de limonete e de erva-príncipe agora premiados, mas também aos lotes reserva de tomilho-limão e de hortelã vulgar. O projecto envolve a Escola de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e ainda a SenseTest, uma empresa que se dedica a estudos de análise sensorial a produtos alimentares.

Tal como acontece com os outros lotes reserva, para o limonete que conquistou o júri do Great Taste Awards são colhidas só as pontas mais viçosas das plantas e apenas nos dias mais compridos do ano, entre Julho e Setembro. “É quando concentram mais quantidade de óleos e de açúcares, devido ao maior período de insolação”, explica Luís Alves.

Foram também estudados a temperatura, o tempo de extracção e a quantidade de erva mais adequados para cada planta, indicações que constam de cada embalagem. A ideia é a de proporcionar com cada infusão uma experiência sensorial e prazer únicos, tal como expressamente assinalou o júri do concurso em relação ao limonete. Segundo a nota de prova registada na embalagem, “o seu aroma delicadamente cítrico combina com o viçoso sabor frutado no qual se descobrem notas de limão e um aprazível final de boca persistente”.

Mas nem sempre foi assim, já que no início do projecto era sobretudo outro o destino dado às ervas aromáticas. “Optámos por potenciar o prazer e a experiência sensorial e queremos agora esquecer as capacidades medicinais das plantas”, enuncia o mentor do projecto, dando conta de um percurso que consolidou o Cantinho das Aromáticas em pouco mais de uma década.

Tudo começou em 2002 com um pequeno viveiro, até que começaram a exportar para França ervas secas destinadas às indústrias farmacêutica e de cosmética. Foi a partir dos trabalhos de investigação que veio a decisão de acabar com a exportação a granel e concentrar a actividade na criação de marca própria, com uma linha de infusões, condimentos e os lotes reserva. O próximo passo é a produção de tisanas e outras misturas com condimentos específicos para saladas, peixes e carnes.

Conceito holístico
Os principais clientes estão em Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e Suíça. “O nosso objectivo é agora entrar no mercado dos países árabes, mas este é um produto de nicho, que precisa da grande distribuição, mas sobretudo de lojas que lhe dêem valor”, explica Luís, olhando o futuro. Daí o entusiasmo com que relata as ligações que os responsáveis pelas compras das mais prestigiadas lojas de Londres com ele quiseram estabelecer logo durante a cerimónia de entrega dos prémios.

Apesar do reconhecimento do mercado, Luís Alves diz que o Cantinho das Aromáticas quer ser mais que uma marca: “Procuramos um conceito holístico, que podes conhecer, visitar e aprender fazendo.” Além do incentivo às visitas guiadas para escolas, universidades, grupos e famílias (www.cantinhodasaromáticas.pt), há também espaço para todos aqueles que queiram frequentar a exploração por períodos mais prolongados, participando e conhecendo as actividades agrícolas, modos de produção e colheita. A par do espaço de exposição e venda, há também uma espécie de experimentação, onde além de bibliografia e informação sobre o mundo das plantas aromáticas se podem provar infusões e vários outros produtos preparados à base das plantas.

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