Fugas - Viagens

Continuação: página 2 de 4

Neptuno também já mora no Porto

Vamos circulando e espreitando por "escotilhas", que são a janela amplificadora para este mundo subaquático: a sensação é a de que os aquários são imensos, mas é quase um "tromp l'oeil", e é propositado para nos levar lá para dentro, aproximar-nos o mais possível daquilo que vemos. Enquanto pensamos nisto, surge o primeiro "quizz" (são 10 questões ao longo do percurso): "Que distância pode percorrer o salmão para fazer a desova?" São três as opções de resposta, que está algures nos placards informativos das redondezas.

"As questões abordam espécies, habitats e informação científica", explica Ana Torres, "achamos que esta forma de aprendizagem é mais interactiva e lúdica". A resposta certa é mil quilómetros, ou não fosse o salmão "uma espécie extremamente inteligente".

O salmão ficou para trás, e já nos vemos entre a madeira. Estamos num barco rabelo carregado de pipas de vinho do Porto e vamos descendo o rio entre trutas, pimpões, enguias que se exibem nos aquários em volta. Passamos sob a Ponte D. Luís e já estamos entre peixes "mais tropicais", cores exuberantes, habitantes mais constantes em paragens como a Madeira e os Açores. Detemo-nos no aquário onde "vive" um polvo. Esperamos e esperamos, porém ele não nos compraz com a sua aparição, e ficamos a olhar apenas para as rochas escuras onde ele, provavelmente, está camuflado. Do outro lado, linguados, anémonas e tainhas.

Já avistamos a pérgola da Foz e, num aquário, há redes de pesca, cordas, bóias, papagaios (de papel) no alto. Agora há pocinhas, piscinas rochosas e os animais estão ao alcance de uma mão molhada. Tocamos nos ouriços-do-mar e nas estrelas, observamos caranguejos a competir pela comida, vemos búzios, camarões e santolas, descobrimos lesmas que parecem pedaços secos de ouriços-cacheiros e os pepinos do mar.

Uma raia altiva

Entretanto, noutra parede, já é o fundo do oceano, que é como quem diz, o fundo do aquário maior. Os tubarões fazem a primeira aparição, mas é a raia americana que plana com a altivez de quem é dona deste reino de Neptuno sim, lá está a estátua no centro, coberto de musgos, e as colunas clássicas e murais por detrás. Este é o tanque oceânico, a jóia da coroa do Sea Life. São 500 mil litros de água por detrás de cinco centímetros de vidro vamos vê-lo em vários níveis, até à tona de água; aqui, nas profundezas, vemos o tubarão de ponta preta e o tubarão lixa, o corcovado, o cirurgião amarelo.

Por agora, entramos no casco de um navio afundado. Faz lembrar os filmes de piratas - não falta o baú do tesouro (com mais uma pergunta), mas não é apenas o efeito cénico que se pretende. Este é um habitat muito rico em alimento e é um abrigo, um escudo de protecção, sublinha Ana Torres. As águas são "mais tropicais" e os aquários são um festival de cores há até "corais" (os aquários foram desenvolvidos por uma equipa de escultores). Vemos o peixe-balão, que incha quando está assustado e tem espinhos, o peixe porco-palhaço, amarelo e com dentes; o xaréu de barbatana longa, espalmado com fios longos, é um brincalhão que vem direito a nós ("em cardume, fazem um efeito belo", nota Ana Torres); o peixe dragão-leão, que é lindo, branco e castanho, e também venenoso; o peixe-folha, alvíssimo com riscas delicadas que parecem desenhadas a tinta-da-china; o cirurgião-amarelo, com uma cauda que são pinças que parecem bisturis; o cangulo, que tem um "focinho" comprido e é solitário.

--%>