No anfiteatro, uma tela grande e bancos corridos de madeira, passa um filme-alerta contra a pesca comercial das baleias. Está vazio, como vazio está o aquário das alforrecas, logo a seguir "está em manutenção" e é apenas um buraco negro. Mais à frente, estão os peixes-palhaço (os "nemo") em convivência com anémonas "há um mutualismo: apesar dos tentáculos venenosos, a convivência com o peixe palhaço é bastante sadia", explica a guia) e novamente o grande aquário.
Agora, Neptuno olha-nos de frente, mas nada pode contra o charme da Zuleika, uma garoupa com tiques de top-model, que não resiste a uma máquina fotográfica: enorme, fica imóvel durante longos segundos, até se entediar. Os tubarões aqui parecem maiores: o tubarão-lixa é um animal de fundos (ou meias águas), pode estar parado, diz Ana Torres, o de-pontas-negras, em compensação, "dorme reduzindo os movimentos vitais e com isso descansa".
Seguimos como se estivéssemos debaixo do oceano, e encontramos um festival de laranjas, brancos e pretos: são os peixes-palhaço em toda a sua glória e um nadar trapalhão. Mais à frente, ficamos a saber que o maior cardume de peixes registado foi de arenques, três mil milhões.
A voracidade do tubarão lixa
Já estamos na parte superior do aquário principal e os tubarões andam por ali até o tubarão lixa deixou os fundos para se vir alimentar e é voraz, "quanto mais tem, mais come". Está a ser experimentado, aliás, um novo método de alimentação, uma nova estação de alimentação que é uma abóbora (por enquanto está pendurada, mas o objectivo é que fique depositada em baixo) com ranhuras, e que deverá ser mais utilizada com os peixes mais pequenos "os maiores são facilmente alimentados".
Qual a sensação de tocar na pele de um tubarão? A resposta vem mais à frente, palpável. Lixa autêntica. E que tal testar a força das suas mandíbulas? Um jogo de pesos: o tubarão tigre move três mil quilos por centímetro quadrado. Mais tubarões: a exposição temporária (para o ano, o tema serão as espécies venenosas) é dedicada a eles. A ideia é "desmistificar o tubarão como assassino da espécie humana", diz Ana Torres (logo, esquecer o filme de Spielberg).
Voltamos à visita e passamos a uma sala mais pequena, mais peixes tropicais. O peixe-vaca tem corninhos e é verde e amarelo; o peixe-anjo, espalmado, é de um azul que é quase lilás e amarelo; as estrelas-do-mar, vermelhas e cinza, parecem artesanato. Um pequeno aquário para uma grande quantidade de fuzileiros, prateados, olhos enormes e barbatanas pretas e brancas: "A ideia é perceber como funcionam em cardume", explica a guia. E, de repente, tantos cavalos-marinhos juntos, serenos e verticais, em diversos aquários, de diversas cores e feitios. "São curiosos", reflecte Ana Torres. Têm a cabeça de cavalo, a cauda pênsil, camuflagem como um camaleão, olhos de lagarto e bolsa de canguru.
Atravessamos o oceano para chegar aos trópicos. Aqui a paisagem tropical é a Baía das Raias, uma "praia" com palmeiras, rochas, guarda-sóis de palhinhas. O tanque é baixo e está aberto às nossas mãos. As raias, brincalhonas, respondem parecem dar às "asas" quando se deslocam elegantemente e, na raia-focinho-de-vaca, branca e cinza, a semelhança com o bovídeo é eloquente.