Passeando pelo barco, começamos por viver uma sensação de labirinto que se desfaz poucas horas depois. Não porque nos orientemos sem hipótese de erro, apesar de todas as direcções estarem bem assinaladas, junto dos elevadores ou dos lanços de escadas, antes porque essa deambulação descontraída faz parte da experiência. Existem as lojas e o Duty Free para libertar pulsões consumistas e, para as purgar, o spa balinês de 1060 metros quadrados e o ginásio sobre a torre de controlo - uma vista deslumbrante para acompanhar as flexões ou o pedalar na bicicleta.
No MSC Poesia descobre-se um pianista jazz a improvisar sobre Beat it, de Michael Jackson, no Bar Dei Poeti, relaxamos ao som de um trio de câmara junto à queda de água no foyer, recolhemo-nos para fumar um cubano ou beber um whisky numa sala isolada, a apropriadamente baptizada Hitchcock Lounge - sendo a MSC companhia italiana, não faltam espaços para nos entregarmos aos prazeres do fumo, não falta um wine bar, Il Grapollo d'Oro, que é viagem por Itália ao sabor da selecção de vinhos do país.
Se o objectivo for um convívio mais, digamos, exuberante, basta ir até à zona das piscinas, onde durante a tarde a animação é constante, ruidosa de música e de animadores tentando integrar os passageiros nos habituais jogos de dança ao som de ABBA e afins. Como alternativa, temos sempre as noites com bandas actuando nos lounges ou as tardes na sala Zebra, listada a condizer, onde podemos ser chamados a palco pelos animadores para iniciação às coreografias de Grease: "Olivia Newton John!", "John Travolta!", cantarão os grupos de enérgicos sexagenários alemães que, na viagem da Fugas, estavam em maioria entre os passageiros.
Resort em movimento
Existe uma ideia generalizada que associa a frequência de cruzeiros a faixas etárias mais elevadas, e ela confirma-se nesta viagem entre Génova e Kiel. Segundo Diana Rawes, do departamento de marketing da MSC Portugal, essa ideia é cada vez mais ilusória. "De meados de Junho até meados de Setembro", explica, "a média de idades baixa sempre, tal como na Páscoa e no Natal". São períodos escolhidos por famílias mais jovens, isto numa altura em que os cruzeiros surgem como hipótese de viagem muito procurada: é um resort em movimento que, sem o incómodo de "fazer e desfazer malas", permite conhecer outros lugares, dos fiordes escandinavos às ilhas gregas, das Caraíbas aos mares da África do Sul, do Magrebe ao golfo Arábico. A MSC, de resto, tenta não só fidelizar os clientes habituais - existe, por exemplo, um MSC Club que reúne e oferece vantagens a passageiros com vários cruzeiros no currículo - como captar clientes mais jovens, através de uma política que inclui a gratuitidade para os menores de 18 anos (pagam apenas taxas portuárias) ou descontos para famílias numerosas, a quem são cobrados preços inferiores à tarifa na reserva de uma segunda cabine. Os custos variam entre os 570 euros de um camarote interior e os 1070 de uma suite com varanda, numa viagem de cinco dias entre o Funchal e Génova, em Julho, a que se acrescentarão depois outros gastos, como as viagens organizadas em cada porto.