Visita aos laboratórios
A cena do crime é o ponto de encontro entre a ciência, a lógica e a lei. É nos laboratórios que a ciência entra em acção. Ao todo são oito. A montagem dos mesmos contou com a colaboração da Policia Judiciária e da Polícia de Segurança Pública. Ambas auxiliaram na adaptação da exposição à realidade portuguesa, uma vez que o conteúdo original se baseia no modelo legal belga. Em cada espaço laboratorial é-nos fornecida informação detalhada sobre o processo de resolução de um crime em Portugal.
No laboratório de balística os visitantes podem, por exemplo, perceber se a arma encontrada junto ao corpo da vítima foi a que disparou ou se foi o próprio director do museu a utilizá-la. Tanto neste como nos outros sete laboratórios, há muitas perguntas por responder. Quem esteve a comer bolo com o director? Quem deixou vestígios de fibras, saliva, sangue ou cabelos no gabinete? E a que horas morreu o director do museu? Estas são indagações que terão resposta mediante o tratamento das amostras nos laboratórios de odontologia legal, vestígios biológicos e entomologia forense, respectivamente.
Na parte dedicada à medicina legal, gavetas fazem adivinhar a aparente presença de outros cadáveres. Os visitantes podem abri-las e inspeccionar o que há no interior. Mas é um "corpo interactivo", que simboliza o corpo da vítima, que capta a atenção. Será mediante a análise desse mesmo corpo que se concluirá a causa da morte da vítima. Uma análise rigorosa é imprescindível pois a prova é um elemento fulcral para determinar a estratégia da investigação. Mas é preciso também identificar os falsos vestígios, pois estes podem ludibriar o investigador e comprometer a descoberta do assassino.
Será que o assassino usa óculos? Terá barba, será careca? É homem ou mulher? O próximo passo será fazer o retrato robô do principal suspeito. Assim construímos uma imagem mental e estamos aptos a rumar até à próxima fase. Afinal, nesta investigação não poderiam faltar os interrogatórios. Aí há oportunidade de ouvir os depoimentos de todos os suspeitos. Prestar atenção às expressões faciais e às incoerências dos discursos pode ser uma arma para apurar a verdade dos factos. Depois, é chegada a altura de ter o seu palpite de quem será o assassino. Caso tenhamos dúvidas, podemos sempre consultar a opinião do investigador de serviço.
Rodrigo Melo fez da visita ao Pavilhão do Conhecimento um programa familiar. Confessa ser "um apaixonado por livros policiais" e, por isso, não perdeu a oportunidade de visitar a exposição "Crime no Museu" com a neta. Este visitante acredita que "a exposição deveria ter um índice de idade mais definido e um melhor acompanhamento na explicação dos passos a seguir", uma vez que o grau de complexidade para uma criança de oito anos, por exemplo, é elevado. Contudo, confidencia que há um entusiasmo "pela magia da temática".
Também Sara Lopes, estudante da Licenciatura em Ciências Forenses e Criminais, tem "um grande fascínio por ciência e pelo mundo da investigação criminal". "Quem vier à exposição poderá sempre visitar também o resto do Pavilhão, o que aconselho vivamente pois faz qualquer pessoa ficar deslumbrada com o mundo da ciência e todas as suas aplicações práticas e divertidas", disse. Com o bilhete para a exposição "Crime no Museu", é possível visitar todo o Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva.