Armados em detectives
É difícil dizer quem parece estar mais entusiasmado nesta (re)descoberta de caminhos outrora palmilhados por reis e nobres. Se as crianças — cujas idades neste grupo variam entre o um ano e os oito — se os pais, tios, amigos que as acompanham. Assim que é dado o tiro de partida depressa os olhos são postos no chão e as pernas a caminho pelas encostas acima. "Não tão para cima", avisa a Sara. É que se há sítio onde se podem encontrar as famosas hastes é onde os animais costumam comer. "Lá está, é como os dentes de leite: estamos a comer muito descansados e lá cai um", recorda.
Os miúdos mais novos correm e saltam, caem e levantam-se. Se calhar até encontraram alguma haste. Mas estão mais interessados nos paus e nas pedras do que nos tesouros ósseos. Os mais velhos levam a missão mais a sério: "E isto, é?", pergunta Margarida, oito aninhos. Azar, está apenas a empunhar um comum pau com que as hastes de veado tanto se assemelham. Margarida há-de repetir a operação várias (dezenas de) vezes, mas sempre sem acerto. Mais sorte teria um pai que nos salvaria o orgulho de grupo: um fémur e uma haste resgatados aos caminhos da Tapada.
Mas, mesmo após as descobertas, ninguém baixa os braços. Segue-se caminho oposto e anda-se junto à linha de água onde abundam os fetos. Vamos afastando a sua farta roupagem para procurar sob a mesma. Encontramos pegadas. Mais à frente, uma abertura pela vegetação alinhada com uma entrada semelhante do outro lado da ribeira comprova que por ali andaram há pouco tempo uns quantos gamos (curiosidade: a fêmea dá pelo nome de gamela).
Continuamos em busca mas, em vez de hastes, só encontramos garrafas de vidro abandonadas. A nossa guia mostra-se prevenida e logo tira do bolso uns quantos sacos de lixo ao mesmo tempo que lamenta a falta de cuidado de muitos visitantes. Foi aliás a quantidade abandonada de lixo, assim como o cada vez maior risco de incêndio, que ditou um controlo acrescido sobre as entradas dos visitantes.
Mais à frente, Sara "tropeça" num pequenino ovo azul: "deve ter caído do ninho", diz, "mas, infelizmente está quebrado". "Se calhar é de dinossauro", diz convictamente João, sentença directamente saída do seu imaginário de quatro anos.
Ainda faltam uns minutos para o fim da actividade quando começamos a ouvir o comboio ao longe. No que diz respeito às hastes, terminamos a caça ao tesouro como começámos: de mãos a abanar. Mas, depois de duas horas de aventura pela Tapada Nacional de Mafra, trazemos connosco outras fortunas, recheadas de ar puro e verde-primavera. E, pelo menos no pensamento, renas e dinossauros.
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Tapada Nacional de Mafra
Portão do Codeçal
2640-602 Mafra
GPS: 38º57’53 N | 009º18’09 W
Tel.: 261817050 (2.ª a 6.ª) e 261814240 (fins-de-semana e feriados)
Reservas e infos: reservas@tapadademafra.pt
A Tapada Nacional está aberta a visitas entre as 9h30 e as 17h30. A actividade realizada, Caça às Hastes (5€/participante; 15€/família), não se repetirá pelo menos nesta Primavera. No entanto, em qualquer tipo de actividade ou passeio nada como caminhar com atenção ao que se pisa. E não há falta de ideias para os fins-de-semana e feriados, entre percursos de bicicleta — um dos quais pensado essencialmente para famílias com crianças —, pedestres (este fim-de-semana ainda com 50% de desconto durante a manhã), visitas de comboio (hoje e amanhã às 14h30; a partir de 1 de Maio, às 15h e um minicircuito às 16h30), BTT ou passeios de charrete (14h30 e 17h), a cavalo (9h30 e 12h30). É ainda possível alinha num Ateliê com Burros (a partir das 14h30), assistir a uma sessão de falcoaria (12h e 16h), fazer iniciação no tiro com arco (a partir das 14h30) ou fazer um baptismo equestre (9h30 e 12h30). Novidade para este ano é a criação do programa Um Dia na Tapada, em que é o visitante que compõe o seu pack de actividades. As diferentes actividades e preços podem ser consultados em www.tapadademafra.pt.