Primeiro um valente tamboril refogado, seguido por um não menos guloso arroz de robalo. O primeiro veio à mesa em larga travessa, com as postas do peixe ao meio, regadas com o espesso molho de tomate, e grandes gomos de batata da aldeia cozida e com casca à volta, num interessante efeito visual. Textura, sabor, aromas. Um regalo e um prazer quase sem fim associado ao Douro branco Quinta da Sequeira 2009.
Quanto ao robalo, que veio à mesa no tacho em que foi cozinhado, é assim descrito numa das publicações expostas: "Apanhado nas correntes Ínsua nas artes de curricar, amanha-se com sal grosso, faz-se o refogado com bom azeite, cebola, alho, pimenta e vinho Alvarinho. Juntam-se as postas, deixa-se cozer e junta-se o arroz necessário [carolino, dizemos nós]". Acompanhou com Soalheiro Primeiras Vinhas.
Para finalizar, fale-se apenas da tarte da casa. Massa de pão-de-ló fi na coberta com creme de ovos (da aldeia) e uma camada de canela que se infiltra formando uma pasta compacta e cremosa. Mesmo bom, ainda por cima na companhia do excelente Moscatel Roxo 1999, da Quinta da Bacalhoa. Já todos concluíram que há gente com sorte e o jornalismo, por vezes, coloca-nos muito a jeito.
O Amândio é uma casa fora do vulgar. Sobretudo pelos produtos que usa e a qualidade da cozinha. Além do tamboril e do arroz de robalo, há pratos que prometem outras grandes alegrias, como robalo no pão (vai ao forno envolto em massa fresca de pão), os bacalhaus (açorda e com broa), a lagueirada de polvo ou a vitela assada com arroz de chouriço. Isto para não falar já das lampreias, no seu tempo.
A casa é pequena, podendo acolher nas sete mesas disponíveis até um máximo de trinta pessoas, isto se Amândio Rodrigues estiver para aí virado. Tal como tudo o resto, também o preço parece depender um tanto da forma como o repasto evolui e a soma final poderá ser até inversamente proporcional à satisfação denotada pelo cliente. Pode até dar-se o caso de a conta dos vinhos superar tudo o resto.
Porque, além de gastronomicamente muito recomendável, o ambiente é de letras, aqui se transcreve um poema escrito por um cliente (Luís Amaral), que bem dá conta da sua satisfação. "O que vamos fruindo?/São tons e sons.../São cheiros e sabores.../É um Minho... rio que desagua/E uma maresia que flutua/É um poente quente no Atlântico.../É todo um Portugal que se revela/Num Alvarinho fresco e frutado/No queijo e no chouriço fumado/Naquela caldeirada fumegante/Nos livros escolhidos e expostos/No caos do cosmos de Amândio/ No seu sorriso confortante.../No até breve amigo". É, de facto, assim o Amândio.
(Julho 2010)
- Nome
- Amândio
- Local
- Caminha, Caminha, Rua Direita, 129
- Telefone
- 258921177
- Horarios
- Todos os dias das 12:00 às 15:00 e das 19:00 às 23:00
- Preço
- 30€
- Cozinha
- Trad. Portuguesa
- Espaço para fumadores
- Não