Vamos serpenteando com Folgado e, pelo caminho, apreciando detalhes e fotos, como uma da Régua antiga, "uma Régua que já nem existe". Numa sala frescota ("está um bocado fresco, está", "16/17/18 graus", está a adega, fechada ao público, apenas um sítio de apoio. Mas se quiser espiar é pedir. Há vinhos de toda a idade, 20, 40 anos - "o mais velho é de 1961", "mas já cá houve de 1900", "coisa com muito ano em casco de carvalho, que se vendia por mil e tal euros".
Folgado aponta para garrafas de vinho com tantos de anos de permanência no solar como ele próprio e sorri, passeando pela nova decoração como se nada fosse, apesar de esta, à partida, não deixar ninguém indiferente, ame-se ou odeie-se: abandonadas convenções e conservadorismos, joga com cores fortes ligadas ao mundo dos vinhos, das vinhas, do Douro. O objectivo do designer foi criar uma "atmosfera de charme, arrojada e provocante". O conceito de espaço a procurar ser moderno passa até por resumir a intervenção como cool.
No mesmo sentido cool caminham os cocktails. De execução simples, como nos demonstra Folgado, criando os três à nossa frente: Portonic (vinho do Porto ou Extra Seco com tónica e rodela de limão), Caipiporto (Porto Branco Seco com lima e açúcar e gelo), Porto Rosé (com rodela de laranja e gelo) - custam apenas €2,5 e servem para atrair a juventude; bebidas frescas e ligeiras, vão bem como aperitivos primaveris e estivais. Resultado: provamos (enfi m, bebemos) os três e não nos importaríamos nada de repetir.
Os cocktails, como nos diz o gestor de existência, também fazem parte da sedução de um público diferente "e dos jovens". Para já, continuam a ser os turistas a fazer a festa. E o solar serve também para instruir paladares estrangeiros.
Um casal brasileiro brinda com os seus Portos, ele tawny, ela branco docinho. Flávio e Izabel Avezum passearam uma semana por Portugal e ficaram "apaixonados" com a descoberta da riqueza deste vinho, "uma grande surpresa", diz Flávio. Hoje é o último dia de férias por cá, por isso decidiram despedir-se do país "com o sabor dos Portos". Junta-se a doçura desta língua portuguesa com a doçura destes vinhos, junta-se um certo sabor a cosmopolita saudade etilizada com o prazer de conversar com um casal de turistas feliz por beber Portugal. O senhor Folgado sorri.
Referências: Carta d' ouro
Destacar referências da carta é caso bicudo. Há de tudo: Tawny (10, 20, 30, 40 anos), LBV, Colheitas, Vintage, standards (brancos, ruby, Tawny, rosé). O preço de um cálice começa em €1,50 e vai por aí acima; a garrafa rondará os €20 e depois o céu é o limite (bom, há até à centena e meia de euros). Nos Vintage, de uma garrafa Taylor's 2003 (€104,90) a Vesúvio 2003 (€117,10) ou Graham's 1980 (€82,70). Nos LBV, um cálice de Krohn 1961 fica em €26,20 e de 1966 em €19,20 (mas há desde Feist a €2,60). Depois, percorrem-se Tawny de décadas (Burmester 40 anos = cálice €23).
E de seguida, correm centenas de referências, incluindo um catálogo de garrafas para venda e consumo fora do solar. Estão disponíveis também vinhos do Douro. Para petiscar há fumeiro português (dos €6 do paio de Barrancos aos €16 do presunto da mesma abençoada terra), queijos portugueses (dos €4,50 do queijo de Évora aos €8 do Serra).
- Nome
- Solar do Vinho do Porto em Lisboa
- Local
- Lisboa, Encarnação, R. São Pedro de Alcântara, 45 r/c
- Telefone
- 213475707
- Horarios
- Segunda a Sábado das 11:00 às 00:00
- Website
- http://www.ivp.pt

