Fugas - restaurantes e bares

  • Nuno Oliveira
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Ich bin ein Bairroalter

Por Luís J. Santos ,

O espírito é de Berlim (tal como o dono) mas nada de demasiadas referências alemãs, que não se quer chegar ao kitsch. O Berlin, no Bairro Alto alfacinha abriu portas para ser uma sala polivalente e ecléctica, informal, artística e de boa onda; tal e qual a actual fama da fervilhante capital alemã.
Ich bin ein Bairroalter

"Cru". É o adjectivo que Lars Meschke escolhe para descrever o seu berlinense bar, localizado no coração do Bairro Alto, uma sala que se transfigura em cada noite, com diferentes concertos e tipos de música, com diferentes públicos. Vamos entrando em Berlin e realmente não há excessos de referências à capital alemã, muito pelo contrário. Mas basta estar algo mais atento para apreciar, logo à entrada, os painéis de fotos antigas da cidade, a parede em cimento nu (uma espécie de alusão ao Muro, revela Lars), um aviso em alemão (na verdade, uma placa similar às usadas em parques da Alemanha e que aludem à proibição de desvio para a esquerda) ou, ainda mais expressivo, o balcão de bar forrado a jornais alemães. De resto, não se espere muito mais, nem sequer no menu: entre as poucas excepções, há uma ou duas marcas de cervejas alemãs.

E que mais de Berlim há por aqui? "Eu!", remata Lars. "Não quis fazer um bar cheio de coisas de Berlim, nada que ficasse muito kitsch", comenta. Lars, apesar de ter inaugurado este seu Berlin em Fevereiro, já leva muitos anos de experiência em bares e restaurantes em Lisboa. A viver na capital há mais de uma década (é, digamos, um "filho" do Erasmus), passou pelo Restô, restaurante do Chapitô, geriu o café do Teatro Taborda, ainda tentou a sorte com uma pizzaria mas não correu muito bem e, antes de se dedicar ao Berlin, tomou conta do Goetheke, café e restaurante do Goethe Institut (o instituto alemão, no Campo Mártires da Pátria), que continua a gerir. "Há muito que queria abrir um bardiscoteca", confessa Lars, que foi buscar o espírito (e o nome) da sua cidade natal para baptizar o seu espaço. Por isso, assim que surgiu a oportunidade e o sítio certo, não hesitou. Até porque a morada Diário de Notícias, n.º 122, já leva longa história nocturna: haverá por aí quem ainda se lembre do gótico La Folie ou do Limbo? Pois os saudosos desses spots até poderão sentir-se à vontade por aqui, especialmente em certas noites e tendo em conta que o espaço em si não sofreu grandes alterações.

O Berlin é, na prática, um corredor e uma sala, espaço aberto à nformalidade, sem manias nem vaidades, porém vaidoso da sua simplicidade de despretensioso salão de bem-estar. Entre o branco (sujo até, aqui e ali, que "há festas mais selvagens") e tons escuros, as paredes também se libertam de decorações (tirando as tais fotos, por sinal algumas vindas da família de Lars), mas, claro, há sempre excepção à regra: a parede de fundo da parte mais elevada da sala, que serve de palco mas que também pode assumir-se como um recanto mais lounge: é vermelha-vermelha, salpicada por alguns velhos espelhos de moldura dourada. No pólo oposto, nas costas do DJ, mantêm-se dois janelões, que permitem ir acompanhando o vai-e-vem da noctívaga rua. Para os confortos, há poltronas, pouffs e sofás, tudo a preto. Uma incontornável bola de espelhos e uma variedade de candeeiros reciclados compõem o ramalhete. E, entre as curiosidades a descobrir, há até memorabilia portuguesa, casos de placas vindas de uma antiga fábrica de têxteis: há a Secção de Malhas (por acaso, a parte do bar) e a Secção de Camisaria (por acaso, a parte do DJ).

Nome
Berlin
Local
Lisboa, Lisboa, R. do Diário de Notícias, 122 - Bairro Alto
Horarios
Todos os dias das 22:00 às 02:00
Website
http://berlinbairroalto.blogspot.com
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