Fugas - restaurantes e bares

Fernando Veludo/Nfactos

O Creme é um Verão azul

Por Andreia Marques Pereira ,

Agora que os dias de Verão ficaram para trás, o Creme, bar, discoteca e restaurante no Edifício Transparente (Porto) apresenta-se com cara renovada para enfrentar o frio que se avizinha. Nova decoração, novas ementas e uma esplanada prometem aquecer o Inverno à beira-mar
Nasceu à beira-mar mas não contente com isso trouxe a praia para dentro. O Creme é relaxado e sofisticado, tem um pé na areia e outro na cidade e é bar, lounge e restaurante. Funciona todo o dia, mas nunca perde a coolness com alguma "soul" à mistura.

Não é que antes de tudo tenha havido o nome - na verdade, primeiro foi o espaço, depois a cor - mas aqui pensou-se muito no que há num nome. Que até pode ser uma "nova fórmula" e uma série de outros trocadilhos. Publicitários, porque o pragmatismo e a criatividade andam de mãos dadas aqui no Creme: é esse o nome e eis a apresentação, "Creme - Nova fórmula - Restaurante, bar, lounge". Sabemos, portanto, ao que vamos e não nos surpreendemos com as variações recorrentes, After-sun, Energizer, Body Milk e Anti-age - neste contexto, poderiam perfeitamente ser bebidas, mas de facto são festas temáticas, algumas regulares, como a de ontem, em que o anti-envelhecimento é servido em forma de dieta musical dos anos 80 e 90. Então, o Creme, o novo espaço do Edifício Transparente (Porto), que quer transmitir uma sensação "leve", "boa", uma vez que "não há cremes maus", explica António Freitas, o co-proprietário com o irmão João. "São só conotações positivas". E de conotação positiva em conotação positiva temos la crème de la crème: o Creme como "bar de primeira referência no Porto" - "é o espaço que queremos ocupar".

Um espaço temporal - a "primeira referência" reporta-se ao início da noite, que aqui se quer tornar a "melhor parte da noite" - e um espaço físico, claro. E antes de entrarmos, detemo-nos no exterior, que no Edifício Transparente é praia. Deveríamos ter vindo no Verão - o Creme abriu a 9 de Julho - quando a esplanada brilhava com vista para o mar, rés-mar. Agora, que é Outono e a chuva já fez aparições (em força), foi recolhida de vez ("o mobiliário era muito pesado", explica-se) e o quadrado de cimento está vazio (à espera que se avance com o projecto para cobrir a esplanada, o que deverá acontecer até final do ano), com a mesma vista - e como entretanto anoiteceu, esta é a espuma branca que se desfaz por detrás de umas poucas árvores.

Mas entramos e a praia é-nos devolvida, com algum esplendor veraneante. Porque entramos para o azul ("azul-piscina", diz António Freitas, que também poderia ser um "verde-água") que repete à exaustão dias soalheiros, mesmo quando a noite se fecha e o frio assenta - foi uma questão de "sintonia com o que está lá fora". Não é creme, está visto, este Creme que se moldou um pouco à maneira dos bares de Miami, que os irmãos conheceram mesmo sem saber que um dia teriam um bar à beira-mar plantado. Porque, diz-nos António, o Creme é o resultado de uma proposta inesperada - nunca tinham sequer pensado em ter um bar - mas "aliciante" para "pessoas novas" (ele tem 25, o irmão 28 anos). "O espaço tinha potencial, mas não nos moldes de antes", recorda - o "antes" era a discoteca Shu, de serviço apenas ao fim-de-semana, que podia estar aqui ou num qualquer centro comercial anódino, "era escura, pesada".

O Creme não é totalmente diferente porque a estrutura do espaço se mantém, mas é radicalmente distinto em tudo o resto. Primeiro, abre todos os dias - e durante o dia, que aqui começa às 11 da manhã (hora de Inverno) para servir almoços, lanches, jantares e o que mais aprouver, antes de se tornar animal noctívago; depois, é claro e leve como um bar de praia, e sofisticado como um bar de cidade (que também é, não esqueçamos, restaurante e lounge e puxa para a discoteca quando está para aí virada). Para compor um "ambiente descontraído e um pouco refinado", para um público que aprecie "conforto e estar de frente para o mar" - e, já agora, "vestir-se bem".

Sim, a ideia era que fosse "muito confortável" e é na cor ("toda a gente repara primeiro na cor", afirma António Freitas, "por ser imprevisível num espaço destas características") que tudo começa - o azul é o bar, com intromissões de brancos, cru, verdes. Não é zen, porque isto vem tudo em combinações imprevisíveis: há paredes com traves de madeira e mobiliário Philippe Starck, há candeeiros de pé e cabeças de animais, há alcatifa e pouffs de verga brancos, há papel de parede e paredes de vidros fumados, há ecrãs plasmas e vasinhos de plantas. E há uma parede inteira que são portas de vidro: no Verão, uma abre-se para a esplanada, no Inverno, mantêm-se fechadas e à noite são cobertas pelos reposteiros.

Na entrada, mistura-se um pouco de tudo: é um pequeno átrio com uma parede (e tecto) de repas de pinho, outras azuis e uma faixa de papel de parede, iluminada por um candeeiro de pé alto (branco) e abat-jour cru (e lá dentro vemos alguns, nos cantos junto à parede envidraçada). Passando a segunda porta, o espaço é rigorosamente contemporâneo, clean e luminoso. O balcão principal tem a forma de um feijão luminoso e por cima um candeeiro é base para duas cabeças de rinoceronte, brancas, esculpidas - no segundo balcão, no lado oposto, são gazelas. Junto às janelas, alinham-se sofás azuis e mesas de vidro da mesma cor e pouffs a imitar verga branca junto a mesas-sofás brancas, baixas. Estes conjuntos repetem-se no centro, durante a semana, para criar ambiente lounge - nesta sexta-feira, estão nas "traseiras", por debaixo dos plasmas, e o centro está decorado com esguias mesas altas colocadas como peças de xadrez. É para estar e também dar à perna, pista de dança informal, dizem-nos, mas com bolas de espelhos e robot de luzes a trabalhar incansavelmente, defronte do "palco" que também é cabina de DJ - e espaço reservado: por detrás do DJ, vêem-se as cadeiras Philippe Starck, espaldares altos, largos e alvos, em torno de duas mesas-diamante. Reservado como é, o acesso aqui ou é feito por convite dos proprietários ou se os clientes decidirem comprar garrafa - "aqui têm um espaço mais privado para usufruir a noite".

No entanto, como já dissemos, não é só de noite que vive este Creme. Durante o dia tomam-se refeições e convive-se em amena cavaqueira - o público da tarde é mais velho do que à noite, notam, num ambiente lounge e os fins-de-tarde são de after-work e pores do sol. Durante as noites "úteis" é esse lounge que predomina, quase ambiente de café, com uma linha musical muito relaxada. Privilegiam-se as sonoridades de deep house e soulful dançante - um house sempre com voz e base soul. Tranquilo, como se quer o Creme, ou não tivesse ele vista de mar.

Referências

Dançável e leve
As opções musicais estão bem definidas no Creme, mas ao fim-de-semana aceleram-se um pouco as batidas e a festa começa - não é discoteca tout court, mas niguém se pode queixar de falta de espaço para dançar. As noites de sábado estão reservadas ao deep house e soulful mais puro - "o house do início da noite", bastante dançável e leve; às sextas-feiras há festas temáticas, e aí podem entrar pop e ritmos brasileiros, bossa nova, sobretudo. E há experiências, como a noite Ladies first, uma noite da mulher em que os homens só podem entrar depois da uma da manhã - e elas até essa hora têm direito a uma bebida. Hoje.... E já se prepara a festa de 31 de Outubro: o Halloween vai ser assinalado, e terá direito a "músicas de A a Z" e décor "Zombie Nation", a fazer finca-pé à moda dos vampiros.

À mesa
Se o Creme abre às 11h00 o motivo basicamente é preparar os menus-executivos, que são os almoços aqui. Há duas versões. A primeira inclui entrada ou sobremesa, com prato principal, bebida (água, refrigerante ou copo de vinho e café) e custa €7,5; a segunda engloba tudo e custa €9,5 (e para cada prato há diariamente quatro opções). Por enquanto, à noite só se fazem jantares para grupos, por reserva, mas a partir de Novembro haverá refeições à la carte. Tudo sob o signo de "apresentação gourmet", mas trabalhando a gastronomia tradicional portuguesa e a mediterrânica. Não há, para já, muitos lugares disponíveis para refeições (oito mesas), mas espera-se que a nova esplanada coberta venha dar novo alento ao Creme-versão-restaurante: com mais mesas e capacidade de albergar eventos de outra magnitude, faça sol ou faça chuva.

Originais
Temos o Cosmopolitan, mas também o Cougar; temos o expresso, mas também o Homem do Leme. Cocktails e cafés: no Creme há os tradicionais e há os originais. Não descobrimos os segredos do Oporto Sunset, mas descobrimos que o Blue Element, o cocktail-assinatura do bar é, inevitavelmente, à base de Blue Curaçao e cítrico e o Cougar, do Fábio, é à base de vodka de morango e extractos de frutos vermelhos. Nos cafés, o Homem do Leme é uma variação do "café com cheirinho", e se o Canelita não guarda segredos, o Women''s Secret é só segredo. Quem quiser arriscar novos sabores, no Creme, a lista é variada - e quem quiser jogar pelo seguro, também não se sai mal.

Nome
Creme
Local
Porto, Porto, Edifício Transparente - Piso Praia (Via do Castelo do Queijo)
Telefone
927508121
Horarios
Domingo, Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira e Quinta-feira das 11:00 às 02:00
Sexta e Sábado das 11:00 às 04:00
Website
http://www.creme.pt
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